O café, o caju e outros produtos secos produzidos em Angola fazem parte dos que podem ser exportados para a China, numa estratégia que pretende aproveitar a abertura do referido mercado aos produtos provenientes de países africanos e aumentar a participação do país nas cadeias internacionais de comércio.
A informação foi avançada nesta quarta-feira, em Luanda, pelo presidente da Câmara de Comércio Angola-China, Luís Cupenala, durante a conferência promocional da China International Import Expo (CIIE), realizada em Luanda sob o lema “Angola Exporta”
Luís Cupenala avançou que decorrem negociações entre os dois países para estabelecer a lista de produtos que poderão ser exportados para o mercado chinês, bem como os procedimentos relacionados com as exigências sanitárias e fitossanitárias.
Entre os produtos já identificados destacam-se o café, o caju e os produtos secos, considerados oportunos para aumentar a produção nacional e conquistar espaço num mercado com cerca de 1,4 mil milhões de consumidores.
Luís Cupenala considerou que a nova oportunidade vai permitir ao sector Agrícola nacional aumentar a produção, melhorar a qualidade e avançar para uma produção em escala, condição considerada fundamental para responder à dimensão da procura chinesa.
A oportunidade, sublinhou, coloca igualmente novos desafios aos produtores, nomeadamente a necessidade de regularidade no fornecimento dos produtos, certificação, transporte e logística capazes de responder às exigências do mercado internacional.
ISENÇÃO DE DIREITOS ADUANEIROS
A política chinesa de isenção de direitos aduaneiros para produtos provenientes de 53 países africanos entrou em vigor em Maio de 2026. A medida procura reduzir barreiras comerciais e ampliar a entrada de produtos africanos no mercado chinês.
Em relação ao café, a Administração Geral das Alfândegas da China anunciou que, desde 20 de Julho de 2026, grãos de café elegíveis provenientes dos 53 países africanos que mantêm relações diplomáticas com a China podem entrar no mercado chinês, desde que cumpram os requisitos fitossanitários estabelecidos.
Angola está entre os países que já apresentaram pedido para exportar café para aquele mercado.
O caju surge igualmente entre os produtos com potencial de exportação, podendo beneficiar da abertura comercial para produtos africanos e contribuir para a diversificação da pauta exportadora nacional.
Já os produtos secos representam outra frente de oportunidade identificada durante a conferência, reforçando a perspectiva de utilização da produção agrícola nacional como instrumento de diversificação económica.
PARTICIPAÇÃO DE ANGOLA NA EDIÇÃO ANTERIOR DA CIIE
Para a próxima edição, o Ministério da Indústria e Comércio, a Câmara de Comércio Angola-China e o Banco da China pretendem aumentar o número de empresas nacionais e assegurar uma participação mais activa nos eventos paralelos da feira, sobretudo nas sessões B2B, Business Matchmaking e no Jantar de Negócios Angola.
A estratégia visa facilitar o estabelecimento de contactos entre empresas, estimular parcerias e criar condições para a assinatura de acordos capazes de gerar negócios, investimentos e novas oportunidades para o sector Produtivo nacional.
PRODUÇÃO E LOGÍSTICA
Apesar das oportunidades, o presidente da Câmara de Comércio Angola-China defendeu a necessidade de o país reforçar a capacidade produtiva, tanto em quantidade quanto em qualidade, para responder às exigências do mercado internacional.
Entre os factores considerados essenciais estão a existência de um Sistema de Transporte resiliente, uma cadeia logística organizada, acesso ao crédito para exportação e maior coordenação entre instituições públicas envolvidas no processo, nomeadamente a Administração Geral Tributária, a Agência de Investimento Privado e Promoção das Exportações, os Ministérios da Indústria e Comércio, dos Transportes e da Agricultura. &




