
Luanda – O antigo Primeiro-Ministro de Portugal, Pedro Passos Coelho, defendeu, esta quarta-feira, em Luanda, a necessidade de se promover reformas estruturais e assegurar disciplina económica e financeira como condições indispensáveis para o desenvolvimento sustentável.
O economista e político português fez estas declarações durante a quinta edição de uma mesa redonda sobre o tema “O Papel da banca e de outros agentes do sistema financeiro na mobilização de financiamento para a indústria e para o conteúdo local em Angola”.
Na sua intervenção, Pedro Passos Coelho afirmou sentir-se honrado por participar num fórum que reuniu personalidades capazes de contribuir para a modernização da economia angolana e para a construção de um futuro mais próspero.
Segundo disse, é essencial que as empresas procurem alcançar os objectivos estratégicos que os governos pretendem proteger e promover.
“Nessa medida, creio que existe a intenção de harmonizar as necessidades de médio e longo prazo, com o esforço desenvolvido pelas empresas angolanas e pelas autoridades do país, procurando retirar o maior proveito possível do actual contexto económico”, afirmou.
Pedro Passos Coelho reconheceu que a sua experiência política e económica está fortemente ligada à realidade portuguesa e europeia, podendo, por isso, ter limitações quando aplicada ao contexto angolano, e recordou que alguns princípios de governação económica são universais.
Na sua perspectiva, “em qualquer parte do mundo, não é possível proteger o futuro sem reformas”, e acrescentou que a ausência de estabilidade económica nunca constitui um factor gerador de confiança para investidores e agentes económicos.
O antigo Primeiro-Ministro defendeu igualmente que as decisões políticas devem estar orientadas para a criação de um ambiente favorável ao investimento e ao fortalecimento do sector empresarial, com políticas económicas responsáveis, incluindo no domínio tarifário.
Promovido pela Global Service Corporation, o fórum reuniu líderes políticos, membros do Executivo, gestores, empresários nacionais e estrangeiros e especialistas do sector financeiro para debater soluções de financiamento da indústria e do conteúdo local.
O programa incluiu painéis dedicados aos temas “A nova configuração geopolítica e o seu impacto no Sistema Financeiro Mundial: Oportunidades e desafios para a industrialização em Angola”, apresentado por Paulo Portas, antigo Vice-Primeiro-Ministro de Portugal, e “Instrumentos Financeiros para a Industrialização e o Conteúdo Local (SFC, Confirming, Factoring, CAPEX, Garantias e Seguros)”, moderado pelo jornalista e economista angolano Carlos Rosado de Carvalho.


