Sonangol reposiciona braço tecnológico: MSTelcom passa a chamar-se Mercury

A MSTelcom tem um novo rosto. A operadora de telecomunicações do universo Sonangol, com quase três décadas de história, passa a designar-se simplesmente Mercury, numa mudança de identidade que assinala o início de uma nova etapa, orientada para o crescimento, a inovação e uma maior proximidade com os clientes.
A nova marca foi oficialmente apresentada durante o ANGOTIC 2026, realizado em Luanda entre 11 e 13 de Junho, um dos momentos mais simbólicos do sector das telecomunicações angolano dos últimos anos.
A empresa nasceu como Mercury Telecommunication Services, SARL, e foi licenciada em 2003 pelo Instituto Angolano das Comunicações (INACOM) como Operador de Serviços de Telecomunicações de telefonia fixa. Ao longo de mais de duas décadas, construiu uma posição dominante no segmento corporativo: detém hoje uma quota próxima de 83% do mercado de telefonia fixa empresarial, segundo dados do próprio INACOM, servindo sobretudo bancos, grandes empresas privadas, instituições governamentais e o sector petrolífero.
O historial de projectos da empresa inclui o desenho e implementação de toda a solução de automatismo e comunicação da fábrica da Angola LNG, no Soyo, e a construção do Data Center Alberto Serafim Araújo (ASA), certificado Tier III pelo Uptime Institute.
Mais recentemente, em 2024, firmou uma parceria com a norte-americana Emerson para reforçar os serviços de automação industrial em Angola, com foco na eficiência e na digitalização dos sectores energético e industrial. A infraestrutura nacional assenta em redes de micro-ondas, fibra óptica e satélite, complementada por pontos de presença internacionais em Londres e em Lisboa.
No decurso da cerimónia de lançamento, a Mercury promoveu ainda um conjunto de apresentações que permitiram aos participantes conhecer, de forma mais aprofundada, o seu reposicionamento estratégico, os novos objectivos da empresa e a visão que deverá orientar a sua actuação nos próximos anos.
Mais do que uma mudança de nome, o rebranding sinaliza uma reconfiguração no posicionamento da empresa face à casa-mãe: o Grupo Sonangol está a adoptar uma postura de investidor estratégico, afastando-se da gestão directa das subsidiárias, e confia agora à Mercury a responsabilidade de gerir o seu próprio percurso no mercado das telecomunicações e dos serviços digitais.
O negócio business-to-business continuará a ser o eixo central da empresa, que não abandona o terreno onde já lidera, mas pretende ampliar a profundidade da sua oferta.
O momento simbólico da transformação foi assinalado pelo accionamento do botão que revelou a nova identidade da empresa, pelos ministros dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, Diamantino Azevedo, e das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social, Mário Oliveira.
A cerimónia reuniu convidados, parceiros, representantes de instituições públicas e privadas e outras entidades, num ambiente de celebração que assinalou o início de um novo capítulo na história da empresa. A Sonangol esteve representada por uma equipa liderada pela administradora executiva Kátia Epalanga, integrada ainda pelos vogais Bruno Neto e Otília Viegas, entre outros convidados.
Para o presidente da Comissão Executiva da Mercury, Francisco Pinto Leite, a mudança de nome traduz um momento de charneira na trajectória da empresa: “Todas as grandes histórias têm momentos de viragem, em que o caminho percorrido encontra o que ainda está por fazer, em que o passado deixa de ser apenas uma herança e se transforma em alicerce.”


