Os projectos de Aproveitamento e Desenvolvimento dos Perímetros Irrigados do Cunene projectam irrigar, na presente Campanha Agrícola 2026-2027, mais de 200 mil hectares de área para apoiar o desenvolvimento da produção e da produtividade agrícola.
Tratam-se dos projectos estruturantes do Executivo angolano, construídos para responder aos efeitos da seca a nível na região Sul do país como, o Canal do Cafu, e as barragens do Ndue e Calucuve, estas duas últimas inauguradas no dia 5 de Setembro deste ano.
“O cadastramento dos produtores está em curso. Estima-se que mais de 10 mil produtores, entre familiares, médios e grandes, possam beneficiar das acções de assistência técnica, experimentação e vulgarização agrícola”, indica a Unidade Técnica de Aproveitamento e Desenvolvimento dos Perímetros Irrigados do Cunene (UTADPIC), através de um comunicado enviado ao Jornal de Economia e Finanças.
No Cafu, por exemplo, a agricultura familiar tem um peso significativo, com mais de 30 cooperativas e mais de cinco mil produtores individuais, além dos empresários agrícolas que exercem a sua actividade neste perímetro.
As principais culturas implementadas no local são, os cereais, as leguminosas, as hortícolas e fruteiras, além da cana-de-açúcar em pequena escala. As hortícolas e os cereais apresentam actualmente maior potencial de produção e de comercialização.
A empresa pública gestora dos perímetros irrigados diz que é ainda prematuro avançar com as previsões da produção para o ano 2026/2027. Mas realça que a prioridade actual para a Unidade Técnica de Aproveitamento e Desenvolvimento dos Perímetros Irrigados é concluir o cadastramento e criar instrumentos e indicadores que permitam medir e acompanhar a produção.
“Só ali estaríamos em condições de falar com propriedade e com dados consistentes em relação às previsões da produção e não só, outros dados que são relevantes na gestão dos perímetros irrigados e no seu desenvolvimento”, sublinhou.
LOTEAMENTO DE TERRAS
Relativamente à gestão de terras e água, o processo de loteamento e ordenamento está em curso, com mais de 1 200 lotes de 25 hectares cada, padrões definidos pelo Ministério da Agricultura. Segundo a Unidade Técnica de Aproveitamento, o objectivo é organizar a utilização das terras, dando atenção aos agricultores existentes e criando também condições para investimentos públicos e privados.
Quanto à água, ainda não existe uma cobrança específica estabelecida pela unidade gestora ou por outros intervenientes para a sua utilização nos perímetros.
A UTADPIC afirma que nessa fase, estão a ser organizados o cadastro dos utilizadores, a gestão da água e o levantamento dos custos de operação e manutenção para, posteriormente se definir um modelo adequado de acordo com a legislação aplicável.
COMERCIALIZAÇÃO
A produção do Cafu é comercializada principalmente no mercado local, e outra parte é escoada para outras províncias. Mas ainda persistem os grandes desafios durante a comercialização, que passam pela falta de transporte, vias de acesso, o armazenamento e conservação, o financiamento e a ligação dos produtores aos mercados.
“Por isso, a prioridade é de melhorar o escoamento, de criar condições de conservação e armazenamento, fortalecer a organização dos produtores e promover a transformação e agregação de valor à produção”, refere a UTADPIC no seu comunicado. &




