O reforço da pesquisa agro-pecuária, do crédito rural e da assistência técnica são apontados como pilares para acelerar o desenvolvimento da agricultura angolana. Defendeu, nesta semana, a antiga ministra da Agricultura do Brasil, Kátia Abreu, durante o Fórum do Agro-negócio Angola-Brasil.
Kátia Abreu destacou a experiência brasileira como uma referência que pode ser adaptada à realidade de Angola.
Ao responder sobre as áreas em que o Brasil pode contribuir para o desenvolvimento do sector Agrícola angolano, a responsável recordou a criação da Empresa Brasileira de Pesquisa Agro-pecuária (EMBRAPA), que foi decisiva para o avanço do agro-negócio brasileiro.
A instituição, explicou, permitiu formar pesquisadores, desenvolver tecnologias adaptadas às condições do país e aumentar significativamente a capacidade de produção agrícola.
Para a antiga ministra, a cooperação entre os dois países deve começar pela pesquisa, mas precisa incluir também a extensão rural. Considerou fundamental levar conhecimento e tecnologia aos pequenos produtores, inclusive aos que se encontram nas zonas mais distantes do território angolano.
“A tecnologia agrícola deve ser democratizada e chegar aos pequenos produtores, mas não basta desenvolver soluções tecnológicas, é necessário criar mecanismos de assistência e acompanhamento que permitam aos agricultores utilizá-las correctamente”, referiu.
Kátia Abreu destacou ainda a importância do Crédito Agrícola com condições adequadas. Na sua avaliação, o financiamento deve estar disponível no momento certo, tendo em conta que a actividade agrícola depende de períodos específicos para preparar a terra, plantar e colher.
A antiga ministra apontou também a segurança jurídica como uma condição essencial para atrair investidores brasileiros para Angola. Como produtora rural, afirmou conhecer as preocupações dos empresários do sector, que precisam de regras claras e estabilidade para investir e produzir.
Kátia Abreu revelou ainda que o Grupo Carrinho, empresa agro-alimentar angolana, está envolvido numa iniciativa de cooperação com a EMBRAPA, com o objectivo de levar conhecimento e tecnologia da instituição brasileira para Angola.
Segundo a antiga ministra, a cooperação poderá contribuir para o desenvolvimento dos produtores angolanos.
FOMENTO DA PRODUÇÃO E DA LOGÍSTICA
Presente no Fórum de Agro-negócio Angola e Brasil, o representante da empresa de construção alemã INZAG, Guilherme Sá, defendeu maior aproximação entre os dois mercados e destacou o papel da infra-estrutura para viabilizar novos investimentos no Agro-negócio angolano.
Em entrevista à imprensa, Guilherme Sá disse que a sua presença no Fórum de Agro-negócio Angola e Brasil evidencia uma questão considerada estratégica para o desenvolvimento económico, que é a necessidade de infra-estruturas adequadas para sustentar a expansão do agro-negócio e atrair investimentos.
Sá explicou que a empresa, ligada às áreas de Engenharia e Construção, não pretende actuar directamente como investidora no Agro-negócio. Avançou que o objectivo é participar na cadeia de desenvolvimento por meio da execução de obras e infra-estruturas necessárias para tornar os projectos viáveis.
“Temos interesse em ser partícipe da viabilidade do agronegócio através das infra-estruturas”, afirmou.
Segundo Guilherme Sá, a experiência acumulada pela empresa em grandes projectos permite contribuir para as iniciativas financiadas por instituições estrangeiras e agências de crédito à exportação.
Por outro lado, Sá destacou a existência de oportunidades de complementaridade entre os dois países. Afirmou que a empresa possui uma forte estrutura em Angola e uma origem ligada ao Brasil, o que permite identificar pontos de convergência entre os dois mercados. A aproximação, segundo o representante, pode beneficiar não apenas empresas brasileiras interessadas em Angola, mas também o próprio desenvolvimento da economia angolana, especialmente em sectores que dependem de infra-estruturas para crescer.
GERAÇÃO DE EMPREGO
Em Angola, a organização já esteve associada a diferentes estruturas empresariais e marcas, tendo participado de projectos nos sectores de Transportes, Obras Públicas e Infra-estruturas, incluindo aeroportos, portos e estradas. De acordo com Guilherme Sá, a empresa já esteve envolvida em mais de 20 projectos em Angola.
Quanto à geração de oportunidades de emprego, segundo o responsável da construtora, aparece também como um dos principais resultados da estadia da empresa em Angola.
Guilherme Sá explicou que o número de trabalhadores varia de acordo com cada projecto e aumenta significativamente durante as fases de maior intensidade das obras.
“Em determinados empreendimentos, as equipas podem atingir 400 ou 500 e até mais de mil trabalhadores”, estimou. &
Antiga ministra da Agricultura do Brasil, Kátia Abreu, no fórum - JOEL INOCENTE | EDIÇÕES NOVEMBRO




