Até 2050, o peso do sector não petrolífero no Produto Interno Bruto (PIB) de Angola deverá registar um crescimento quatro vezes maior em comparação com o sector petrolífero.
De acordo com as projecções, a indústria do crude deverá encolher significativamente no longo prazo, passando a representar apenas um terço do seu valor actual na economia nacional.
Actualmente, a economia angolana atravessa uma mudança estrutural na sua matriz, alinhada com a Estratégia de Longo Prazo “Angola 2050”. As projecções foram apresentadas por Gonçalo Martins, sócio sénior da consultora McKinsey, durante o painel “Crescimento Económico de África e Angola: Oportunidades e Desafios”. O debate integrou o seminário “Encontro Fora da Caixa”, realizado na última quinta-feira, no Auditório do Museu da Moeda, em Luanda.
No encontro, líderes empresariais e especialistas de diversos sectores debateram temas de forte impacto na economia nacional.
Gonçalo Martins sustentou que o sector não petrolífero deverá registar um crescimento anual médio de 4,5%, impulsionando uma transformação expressiva nos diferentes segmentos produtivos.
Segundo o analista, esta diversificação vai garantir uma distribuição de rendimentos mais equitativa, elevando a qualidade de vida da população.
O economista destacou que as reformas implementadas pelo Executivo já começam a surtir efeitos notáveis. Contudo, face aos desafios transversais persistentes, sugere prudência aos operadores económicos e o cumprimento rigoroso das regras de compliance.
Apontou ainda a atracção de Investimento Directo Estrangeiro (IDE) como via crucial para alavancar projectos de alto rendimento, focados na geração de emprego e no processamento local de matérias-primas de elevado consumo.
Outro ponto sublinhado pelo especialista é o dividendo demográfico de Angola. A população maioritariamente jovem constitui um activo valioso, mas exige a implementação imediata de programas de qualificação.
O objectivo é capacitar a massa crítica para as novas profissões geradas pela digitalização e pela Inteligência Artificial (IA), prevenindo também a perda de talentos para países com populações envelhecidas que irão incentivar a imigração.
À luz das estatísticas do Fundo Monetário Internacional (FMI), Angola detém um PIB nominal estimado em 152,35 mil milhões de dólares. Embora o sector do Petróleo e Gás continue a ser o motor da economia, o PIB não petrolífero tem dado sinais animadores de crescimento consistente.
Esta tendência consolidou-se sobretudo nos últimos cinco anos de governação, período em que o país amortizou uma parte considerável da sua dívida pública, conferindo maior robustez e sustentabilidade às contas do Estado.
O encontro corporativo ficou marcado pela presença do ex-presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, que dissertou sobre “Os Grandes Desafios Económicos e Geopolíticos da Actualidade”, além da realização de uma mesa-redonda subordinada ao lema “Angola First” (Angola em Primeiro Lugar), cujos prelectores apresentaram vários pontos de vista sobre a profilaxia do mercado e Sistema Financeiro nacionais.




