O aumento do preço do óleo alimentar nos estabelecimentos comerciais de Caxito, na província do Bengo, está a pesar no bolso das famílias. Segundo consumidores locais, embora o óleo tenha registado uma subida expressiva, os restantes produtos da cesta básica têm mostrado maior estabilidade nos últimos dias.
Numa ronda efectuada pelo Jornal de Angola a várias superfícies comerciais, mercados e cantinas de Caxito, constatou-se que, apesar de o produto continuar disponível, as sucessivas altas aplicadas pelos importadores em Luanda reflectem-se no custo de vida local. Actualmente, o litro de óleo é comercializado entre 2.500 e 2.800 kwanzas, um salto significativo face aos 1.500 a 1.800 kwanzas praticados há quatro meses. Para minimizar o impacto da subida, os comerciantes passaram a fraccionar o conteúdo dos bidões, vendendo pequenas quantidades a partir de 100 kwanzas. O comerciante guineense Djaló Mamadou Alpha explicou que a medida visa facilitar o acesso ao produto, mas reconheceu que a instabilidade de preços nos armazéns de Luanda compromete a actividade comercial e reduz as margens de lucro. Famílias mudam hábitosPara contornar a crise dos preços, a dona de casa Joaninha Paim, residente no município do Dande, viu-se obrigada a alterar radicalmente os hábitos de consumo da sua família. A alternativa encontrada foi recorrer ao óleo de palma para confeccionar a maioria das refeições diárias, uma substituição que, embora reduza os custos, altera a base alimentar tradicional da casa.A situação repete-se no sector do microempreendedorismo local. A comerciante Engrácia Gonçalves afirmou que a escalada no preço do óleo alimentar está a afectar directamente o seu pequeno negócio de pastelaria, forçando-a a reduzir drasticamente a produção diária de bolinhos e galetes. “A farinha de trigo baixou um pouco nos armazéns, mas o óleo de cozinha continua demasiado caro para quem trabalha por conta própria”, lamentou.




