A produção pecuária nacional atingiu, em 2025, cerca de 358 mil toneladas de carne bovina, contra 333 mil toneladas registadas em 2024. Os dados foram avançados, na quarta-feira, no Huambo, pelo presidente da Federação Nacional das Cooperativas Pecuárias de Angola (FENACOOPA), Salvador Rodrigues, durante a abertura da 3ª Feira Agro-pecuária de Exposição e Leilão de Gado, evento que decorre à margem da Expo-Huambo 2026.
O evento reúne mais de 430 expositores provenientes de diferentes pontos do país, entre empresários, produtores e representantes de cooperativas de criadores de gado, e contou com a presença do governador do Huambo, Pereira Alfredo.
De acordo com o presidente da FENACOOPA, o balanço da produção pecuária nacional é realizado anualmente pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), sendo que os dados referentes a 2026 ainda não estão disponíveis.
IMPORTAÇÃO DE CARNE
Salvador Rodrigues sublinhou, por outro lado, que, apesar do crescimento da produção, Angola importou, no período homólogo, cerca de 8.220 toneladas de carne bovina, avaliadas em aproximadamente 38,8 milhões de dólares norte-americanos, contra 21.717 toneladas no período anterior.
“Não basta aumentar o efectivo pecuário. Precisamos aumentar a produtividade por animal, melhorar a genética, a alimentação, o acesso à água, a sanidade, a fertilidade, o peso ao abate, o rendimento de carcaça, a produção de leite, os matadouros, a cadeia de frio e a transformação”, frisou.
O pecuarista considerou que a Feira e o Leilão não devem ser vistos apenas como momentos de exposição, mas também como instrumentos de dinamização económica.
Salvador Rodrigues, presidente da FENACOOPA
INSEMINAÇÃO ARTIFICIAL
Salvador Rodrigues explicou que a FENACOOPA valoriza o Programa de Inseminação Artificial, desenvolvido com o apoio da Embaixada de França.
“Queremos melhor genética, maior fertilidade e produtividade. Porque uma pecuária moderna não se mede apenas pelo número de cabeças. Mede-se também pelos quilos de carne, litros de leite e rendimento económico que conseguimos obter de cada animal”, afirmou.
O responsável destacou ainda a importância da participação das mulheres e dos jovens no desenvolvimento do sector, considerando que estes grupos constituem uma parte significativa da população angolana.
Defendeu, por isso, a necessidade de tornar a actividade agro-pecuária mais moderna, profissional e atractiva para as novas gerações.
Salvador Rodrigues felicitou a Cooperativa dos Criadores de Gado do Huambo e todos os produtores envolvidos na organização da feira, bem como o Governo Provincial pela realização da 3ª edição da Feira Agro-pecuária de Exposição e Leilão de Gado e de outras espécies de pequeno porte, como caprinos e ovinos.
Considerou que a iniciativa deixa capacidade instalada e melhores condições para os cria dores, produtores e empresários exporem os seus animais, estabelecerem negócios e parcerias e valorizarem a produção nacional.
“Deixamos igualmente um reconhecimento especial a Pereira Alfredo, governador provincial do Huambo, e ao seu Executivo, pelo empenho e apoio na mobilização de recursos para a construção e modernização deste recinto de exposições e leilão de gado, articulado com a Expo-Huambo”, disse.
Pereira Alfredo, governador da província do Huambo
CORREDOR DO LOBITO
Salvador Rodrigues defendeu que o Corredor do Lobito deve desempenhar um papel mais abrangente no desenvolvimento económico, não se limitando ao transporte de minerais.
“Esse corredor não deve transportar apenas minerais. Tem de transportar também milho, soja, carne, leite, ovos, frutas, hortícolas e produtos agro-industriais produzidos em Angola”, afirmou.
O presidente da FENACOOPA lembrou que o mercado interno ultrapassa os 36 milhões de consumidores e que a população angolana continua a crescer a um ritmo próximo de três por cento ao ano. “São mais de um milhão de novos consumidores por ano. É muita gente a acrescentar todos os anos à procura por carne, leite, ovos, cereais e outros alimentos, enquanto a nossa produção agro-pecuária ainda cresce abaixo das necessidades em várias cadeias”, sustentou.
Para o responsável, o crescimento da população sem o correspondente aumento da produção constitui um dos principais desafios económicos e produtivos do país, por aumentar a dependência das importações, a necessidade de divisas e a pressão sobre os preços e a segurança alimentar.
Os produtores nacionais, defendeu, devem se preparar para responder à procura dos mercados regionais, tendo em conta a proximidade com países como a República Democrática do Congo, que possui mais de 100 milhões de habitantes, a Zâmbia e outros mercados da região.
Neste sentido, considerou que a dinâmica comercial observada nas zonas fronteiriças demonstra a existência de procura regional por produtos alimentares.
“Por isso, o Corredor do Lobito não pode ser visto apenas como corredor de minerais. Deve transformar-se também num corredor da produção agro-pecuária, da agro-indústria e dos alimentos”, defendeu. &




