Luanda - Cerca de 518 milhões de litros de água potável por dia vão ser disponibilizados pelo projecto Quilonga Grande, a ser concluído em Novembro deste ano, no município de Bom Jesus, província de Icolo e Bengo, segundo o Ministério da Energia e Águas (MINEA).
Luanda - Cerca de 518 milhões de litros de água potável por dia vão ser disponibilizados pelo projecto Quilonga Grande, a ser concluído em Novembro deste ano, no município de Bom Jesus, província de Icolo e Bengo, segundo o Ministério da Energia e Águas (MINEA).
A capacidade de produção da maior infra-estrutura hídrica do país prevê beneficiar um universo de cinco milhões de habitantes das províncias de Luanda e Icolo e Bengo, facto que reforça o actual sistema de distribuição de água nas duas províncias.
De acordo com o MINEA, em Luanda, o Quilonga Grande, visitado, sábado último, pelo Presidente da República, João Lourenço, vai abastecer as populações dos municípios de Viana, Mulenvos e Cacuaco, enquanto que no Icolo e Bengo serão beneficiados os municípios de Calumbo, Cabiri, Sequele, Bom Jesus e Catete.
O Departamento Ministerial destaca ainda que mais do que uma obra de engenharia, o projecto é um marco transformador na vida das populações e afirmação do compromisso do Governo de Angola com o acesso à água potável, dignidade humana, saúde pública e com a qualidade de vida, pilares fundamentais para o desenvolvimento sustentável da sociedade angolana.
Com um grau de execução física de mais de 90%, o empreendimento teve início em Janeiro de 2023 e está orçado em 417 milhões de dólares norte-americanos.
Quilonga Grande está composto por por um centro de captação, uma estação de tratamento de água, centro de distribuição, condutas de água tratada, estação de bombagem de água bruta, rede de distribuição para ligações domiciliares associadas, entre outros componentes.
Com uma capacidade de produção de 518 mil metros cúbicos de água por dia, é o maior sistema de produção, armazenamento e distribuição de água construído no país, constituindo-se numa das mais importantes infra-estruturas estratégicas do sector das águas em Angola.
Foi concebido para responder de forma estruturante ao crescimento populacional e urbano das províncias de Luanda e de Icolo e Bengo.
O projecto do Governo de Angola, em parceria com o Banco Mundial, tem como objectivo assegurar o acesso sustentável à água potável a milhões de cidadãos, contribuindo directamente para a melhoria da qualidade de vida, saúde pública, do desenvolvimento económico e da inclusão social.
O sistema tem origem na captação de água no rio Kwanza, no município de Bom Jesus, com a integração de um conjunto complexo e articulado de infra-estruturas de captação, tratamento, adopção, armazenamento e distribuição que permitem transportar e disponibilizar água em quantidade e qualidade adequadas aos principais centros urbanos e periurbanos.
Impacto do Quilonga Grande
Entre os municípios a serem beneficiados por essa infra-estrutura hídrica, destaca-se o Bom Jesus (Icolo e Bengo), que vai resolver o défice de 30 por cento do abastecimento de água potável que enfrenta actualmente, segundo o administrador municipal, João de Almeida.
Apontou os bairros de Mazozo, Licumbe, Cana-Caçassa e Ngolome como os principais que vão beneficiar da água de Quilonga.
O município de Bom Jesus tem uma população estimada em 35 372 habitantes, segundo o Censo de 2024.
Projecto Bita
A par do Quilonga Grande, a província de Luanda também vai, a partir do primeiro trimestre de 2027, beneficiar da água do projecto Bita, com uma capacidade instalada de captação e tratamento de 250 mil metros cúbicos de água por dia.
O empreendimento projectado com base aos padrões das Nações Unidas, que preconizam o consumo diário de 100 litros de água por habitante, está a ser dimensionado para cobrir as necessidades de 2,5 milhões de pessoas e contempla a realização de 250 mil ligações domiciliares.
Localizado na zona Sul da capital angolana, igualmente, nas margens do rio Kwanza, a infra-estrutura vai abranger os bairos Mundial, Ramiros e Cabolombo, zonas que ainda enfrentam escassez histórica do precioso líquido.
O Bita também visa reforçar o abastecimento em áreas centrais que vivem com elevado défice, nomeadamente Talatona, Nova Vida, Morro Bento e Corimba.
Ou outro objectivo da infra-estrutura é tornar mais barato o custo da água para as populações da periferia, que representam 60% dos habitantes de Luanda, assim como reduzir a dependência do fornecimento por camiões-cisternas e garantir o acesso regular à água potável.
No total, Bita e Quilonga Grande vão beneficiar mais de 7,5 milhões de habitantes na província de Luanda, num investimento de mais de 2,5 mil milhões de dólares.
Esse investimento tem como objectivo reduzir para menos de 50% a carência das necessidades de consumo da população na capital angolana, que conta com um universo populacional estimado em 13 milhões de habitantes.
ProÁgua eleva produção para 400 mil metros cúbicos/dia
De igual modo, em paralelo aos referidos dois empreendimentos, o Governo também está a desenvolver o projecto ProÁgua, que tem como meta elevar a capacidade de produção das estações de tratamento de água da Empresa Pública de Água de Luanda (EPAL) dos actuais 260 mil para cerca de 400 mil metros cúbicos por dia.
Essa iniciativa está a ser desenvolvida através da recuperação da capacidade instalada e da construção de três novas unidades compactas de produção.
De acordo com a EPAL, o projecto está estruturado em três pilares fundamentais, nomeadamente produção, distribuição de água e gestão de clientes.
O primeiro pilar, ligado à produção, contempla a reabilitação das estações de tratamento de água, com o objectivo de recuperar a sua capacidade nominal instalada, bem como a construção de três novas unidades compactas de produção. Ainda neste quesito, o projecto prevê a recuperação da capacidade operacional de várias estações de tratamento de água.
O segundo pilar está relacionado com a distribuição de água e prevê a melhoria dos centros de distribuição, incluindo a implementação de sistemas de caudalímetros para o controlo da entrada e saída de água. Inclui, igualmente, a implementação de sistemas que permitam supervisionar e controlar os processos nos centros de distribuição e na rede, através da sua centralização.
Já o terceiro é dedicado à gestão de clientes e visa melhorar a relação com os consumidores, aumentar a capacidade de arrecadação da empresa, promover a transferência de tecnologia e reforçar a capacitação dos técnicos.
Recuperação da capacidade instalada
Nesse domínio, a Estação de Tratamento de Água (ETA) de Kifangondo possui uma capacidade nominal instalada de 140 mil metros cúbicos por dia, estando actualmente a operar com cerca de 115 mil metros cúbicos. Com o Projecto ProÁgua, pretende-se recuperar a capacidade instalada dessa ETA.
Consta também do projecto o sistema 3, correspondente à ETA Luanda Sul, onde estão incluídas as ETAs Kikuxi 1 e 2, com uma capacidade instalada de 57 mil metros cúbicos por dia cada e uma capacidade operacional de 51 mil metros cúbicos.
Inclui, igualmente, o sistema do Kilamba, cuja estação de tratamento possui uma capacidade instalada de 40 mil metros cúbicos por dia e opera actualmente com 33 mil metros cúbicos, prevendo-se a recuperação da sua capacidade.
Por sua vez, a ETA de Calumbo tem uma capacidade instalada de 51 mil metros cúbicos por dia, mas opera actualmente com cerca de 25 mil metros cúbicos.
O ProÁgua contempla ainda a construção de três novas unidades compactas de produção de água, sendo uma instalada no Kilamba, com capacidade de 22 mil metros cúbicos de água por dia, prevendo-se também uma unidade no Zango, com a mesma capacidade.
Iniciado em 2025, o projecto está previsto para ser concluído em 2027. QCB/CS




