Lubango - O projecto de Resiliência Climática e Segurança Hídrica em Angola (RECLIMA) vai reabilitar 150 sistemas artesianos de água em zonas rurais da província da Huíla, já a partir de Outubro próximo, num investimento de 11 milhões de dólares norte-americanos.
Lubango - O projecto de Resiliência Climática e Segurança Hídrica em Angola (RECLIMA) vai reabilitar 150 sistemas artesianos de água em zonas rurais da província da Huíla, já a partir de Outubro próximo, num investimento de 11 milhões de dólares norte-americanos.
O mesmo projecto apresentado hoje, terça-feira, no Lubango, enquadra-se no Programa de Reabilitação dos Serviços de Água Rural geridos pela Comunidade, que prevê a recuperação de cerca de 600 pontos de água em cinco províncias do Sul de Angola.
O projecto RECLIMA, ao todo, está avaliado em 450 milhões de dólares, dos quais 300 milhões são financiados pelo Banco Mundial e 150 milhões pela Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD).
Na Huíla, a intervenção vai abranger os 23 municípios, cujos trabalhos vão recuperar sistemas de abastecimento de água existentes, muitos dos quais se encontram inactivos ou degradados.
Abrangem ainda, sistemas solares, painéis e bombas, bombas manuais, tanques, pequenas redes de distribuição, bebedouros e lavandarias, segundo o especialista em Monitoria e Avaliação da Unidade de Coordenação de Projectos do Ministério da Energia e Águas (MINEA), Carlos Figueiredo. Carlos Figueiredo.
O especialista explicou que a intervenção não se limitará à recuperação de equipamentos, prevendo igualmente o reforço da capacidade de gestão das comunidades beneficiárias.
Destacou que para além da reabilitação da infra-estrutura, serão criados mecanismos que permitam às comunidades gerir, acompanhar e preservar os sistemas depois da sua recuperação.
Neste sentido, os grupos de água e saneamento existentes serão avaliados e, onde for possível, reactivados, enquanto as comunidades serão envolvidas na identificação de problemas, manutenção preventiva e realização de pequenas reparações.
Salientou, que as actividades começam com o levantamento e actualização do estado dos pontos seleccionados, e inclui visitas aos locais, avaliação das estruturas e identificação dos sistemas que podem ser reactivados.
Os contratos terão duração de dois anos e está prevista a conclusão do primeiro ciclo de reabilitações ainda em 2026, enquanto as acções de acompanhamento e reforço da gestão comunitária deverão prosseguir durante a vigência do projecto.
Carlos Figueiredo apelou à gestão rigorosa dos recursos e lembrou que o financiamento do RECLIMA constitui um crédito concedido ao Governo angolano e não uma doação, pelo que os investimentos devem produzir resultados duradouros.
Na ocasião, o vice-governador da Huíla para os Serviços Técnicos e Infra-estruturas, Hélio Almeida, que presidiu a apresentação do projecto, exigiu rigor no acompanhamento da recuperação dos sistemas de abastecimento de água rural, para que as populações possam beneficiar, num curto prazo, desses investimentos.
O vice-governador defendeu a necessidade de recuperar o tempo perdido nas diferentes etapas que antecederam a implementação do projecto, para que os municípios possam começar a sentir os efeitos da recuperação dos sistemas de água.
Segundo Hélio Almeida, a Huíla integra uma zona onde os ciclos de seca têm ocorrido de forma mais frequente e intensa, reforçando a necessidade de garantir o fornecimento de água às populações de forma segura e equilibrada.
A província da Huíla conta com 275 furos, destes 23 estão inoperantes, e cada furo reabilitado pode beneficiar 250 pessoas.
Já o coordenador da Sub-unidade do RECLIMA no Lubango, Manuel Freitas, informou que os 150 pontos de água estão distribuídos por quatro lotes de seis a sete municípios da província.
Detalhou que será realizado, até Dezembro deste ano ou Janeiro de 2027, um levantamento individual de cada sistema seleccionado, para determinar o seu estado e os custos necessários à reabilitação.
Manuel Freitas admitiu a possibilidade de o número de pontos de água a recuperar aumentar entre 10 e 20 por cento, caso os recursos previstos nos contratos permitam abranger outros sistemas durante a execução das obras.
O encontro reúne representantes das administrações municipais da Huíla, directores municipais de Energia e Águas, responsáveis técnicos, empreiteiros, fiscais, organizações não-governamentais e outros parceiros envolvidos na implementação do programa. BP/MS




