A Refinaria de Cabinda processou, entre Março e Julho, 15.750 mil barris de petróleo por dia (BOPD), totalizando uma produção acumulada de cerca de 677 mil barris (bbls), indicam os dados do Ministério dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás (MIREMPET), recentemente divulgados.
Deste total, 290.358 bbls, o equivalente a 42,91%, foram produtos, ou seja, são as mercadorias já vendidas ao nível do mercado interno e externo, com destaque para o JETA-1 com 72.042 bbls, Nafta 60.256 bbls e 158.060 bbls.
O projecto da Refinaria de Cabinda, da acordo com os promotores, visa contribuir para a expansão da capacidade nacional de refinação, reduzir a dependência nacional de importação de produtos refinados, assegurando uma operação competitiva, eficiente e em conformidade com os padrões ambientais internacionais.
Nesta primeira fase, a unidade industrial que entrou em produção oficialmente em Março deste ano, completou em Julho pouco mais de 17 milhões de horas trabalhadas sem acidentes.
Ainda sobre o estado do empreendimento, os promotores garantem que o sistema de importação e exportação offshore está em fase final de construção.
Em termos de progresso, indicam, já foram cumpridas 100% das actividades de engenharia e aprovisionamento, 85,8% de progresso na construção e a completação mecânica (marco de engenharia que declara que uma instalação, sistema ou equipamento foi totalmente montado, inspeccionado e testado de acordo com o projecto, ficando pronto para avançar para a fase de comissionamento), deverá estar concluída ainda este mês.
Segundo apurou o Jornal de Economia & Finanças, neste momento, apesar de já terem iniciadas as operações da Refinaria de Cabinda, estão em curso actividades de transporte de 3,2 quilómetros (km) de 4 tubulações (3 de 16” + 1 de 10”) até à posição final a aproximadamente 12 km da costa; fabricação de 7,2 km de 4 tubulações para posterior posicionamento; preparação para instalação do Sistema Convencional de Amarração e do Pipeline End Manifold (PLEM), ou simplesmente oleoduto e os testes de comunicação das Bóias Meteoceânicas e de Telemetria (plataformas flutuantes altamente tecnológicas que actuam como estações meteorológicas e oceanográficas automáticas em pleno mar).
Especialistas avançam que a segunda etapa da operacionalização da Refinaria de Cabinda, prevê a consolidação do arranque operacional, aumentar a média de processamento por dia de produção e concluir o Progress Review do FEED, ou seja, finalizar o Projecto de Engenharia Básica (serve para avaliar o avanço técnico, o orçamento e o cronograma antes de avançar para a fase de execução detalhada do projecto).
Quanto ao sistema de importação e exportação, a segunda fase visa alcançar a completação mecânica, iniciar as operações de exportação de refinados e aumentar a oferta de refinados no mercado interno.
Primeiros derivados de petróleo produzidos na Refinaria de Cabinda
Entre Março e Julho, a Refinaria de Cabinda produziu perto de 677 mil bbls, com HFO (óleo combustível pesado) a liderar com 393 371 bbls em cinco meses de operacionalização daquela unidade industrial, seguindo-se NAFTA (mistura líquida de hidrocarbonetos leves obtida através da destilação fraccionada do petróleo bruto) com 161 417 bbls, JETA-1 com 15.008 bbls e Go (diesel e gasolina) com 106 863 bbls.
São os primeiros derivados de petróleo produzidos na Refinaria de Cabinda que já chegaram ao mercado, cumprindo-se assim, o cronograma dos parceiros do projecto.
Lembrar que é a primeira fábrica de derivados de petróleo construída de raiz em Angola, no período pós-Independência Nacional, cuja capacidade de processamento será de 60 mil bbls por dia, quando ficar concluída a segunda fase do projecto.
Trata-se de uma unidade industrial com tecnologia moderna adaptada ao contexto nacional. Na prática, a Refinaria de Cabinda começou as suas operações em Setembro do ano passado, com a previsão de processamento de 30 mil barris de petróleo por dia, metade da sua capacidade instalada.
Com a operacionalização da primeira fase da Refinaria, o mercado ganhou os primeiros derivados comerciais produzidos naquela unidade, nomeadamente o gasóleo, Jet A1 (combustível para os aviões), fuel oil pesado e nafta.
O objectivo da aposta neste empreendimento é reduzir a dependência de importações e assegurar o abastecimento nacional de produtos essenciais à mobilidade, produção de energia e ao desenvolvimento industrial.
O investimento global realizado nesta Refinaria ascende a 473 milhões de dólares, dos quais 335 milhões resultam de financiamentos internacionais, por meio de um consórcio bancário, o que evidencia a credibilidade do país junto a parceiros e mercados globais. Cerca de 138 milhões de dólares são capitais investidos pela Sonangol.
Nesta primeira fase, o projecto já gerou 3.300 postos de trabalho directos e formou 700 quadros nacionais e, quando atingir o pico, o compromisso é de chegar aos 5 mil técnicos qualificados ao longo dos próximos meses.
Recordar que o empreendimento dispõe de equipamentos com tecnologia de ponta e integra uma unidade de zero flaring (queima de gás zero), reforçando o compromisso da Sonangol com a sustentabilidade, segurança e as melhores práticas internacionais, para tornar Angola auto-suficiente em derivados de petróleo.
A Sonangol e a Gemcorp são os investidores da Refinaria de Cabinda e operacionalizaram a primeira fase da Refinaria em Setembro do ano passado. A prioridade da produção de derivados de petróleo naquela unidade industrial é o mercado nacional.
O país vai construir até 2027 mais duas refinarias, nomeadamente a do Lobito e do Soyo. &




