Lobito – A rota marítima directa entre a China e o Porto do Lobito, em Angola, reduziu o tempo de transporte de mercadorias de 50 para cerca de 30 dias, comparativamente ao período registado quando os navios escalavam outros portos, soube a ANGOP, esta terça-feira.
Lobito – A rota marítima directa entre a China e o Porto do Lobito, em Angola, reduziu o tempo de transporte de mercadorias de 50 para cerca de 30 dias, comparativamente ao período registado quando os navios escalavam outros portos, soube a ANGOP, esta terça-feira.
Segundo o director comercial e de operações da Africa Global Logistics - Lobito Terminal, empresa responsável pelo manuseamento do cais polivalente do Porto do Lobito, Ivo Ribeiro, a nova rota apresenta vantagens relacionadas com a redução do tempo de transporte e de manuseamento da carga, bem como dos custos para os exportadores.
"Quanto mais rápido a carga chegar do outro lado, mais depressa é vendida, mais depressa se recebe outra e volta-se a fazer negócio", afirmou.
O gestor apontou, igualmente, como desvantagem da rota directa o facto de os navios deixarem de escalar outros portos, reduzindo, consequentemente, as oportunidades de negócio nesses mercados.
Para minimizar este constrangimento, explicou que a empresa-mãe, a Africa Global Logistics (AGL), mantém operações noutros portos africanos, o que permite compensar, em parte, essa redução de escalas.
"Até ao momento já escalaram no Lobito três navios, nomeadamente nos meses de Janeiro, Abril e Maio. Estamos à espera do próximo, no fim deste mês ou início de Outubro", afirmou.
Em relação às operações no Porto do Lobito, Ivo Ribeiro manifestou satisfação pela conclusão dos trabalhos de desassoreamento na zona do cais, que permitiram melhorar o calado, passando de 10,5 para 14,7 metros de profundidade.
"Já podemos receber navios de maior porte e usar o terminal de contentores exclusivamente com a sua própria carga, assim como o cais de carga geral", afirmou.
O responsável lembrou os constrangimentos enfrentados anteriormente com a cimenteira Cimenfort, que utiliza navios com cerca de 13 metros de calado e que eram obrigados a efectuar várias manobras devido às limitações existentes.
Quanto ao movimento de navios, informou que, até Agosto deste ano, a AGL Lobito Terminal recebeu 20 embarcações, número próximo do registado no mesmo período de 2025.
"Os navios são cada vez maiores, trazem mais carga e o nível de volume de carga aumentou significativamente. Até ao final de Agosto atingimos quase 40 mil TEUs, e a previsão é de chegar entre 50 e 55 mil, o que é óptimo. Em 2025 movimentámos 30 mil", explicou.
Ao nível da carga geral, Ivo Ribeiro disse que a empresa prevê atingir 800 mil toneladas este ano, contra as 700 mil toneladas movimentadas em 2025.
No domínio dos recursos humanos, o responsável informou que a direcção tem apostado no crescimento da equipa através do recrutamento interno.
"Temos uma brigada de 35 pessoas que passaram de estivadores, conferentes e motoristas de camiões para operadores de máquinas", informou.
Acrescentou que a AGL dispõe de um centro de formação em Abidjan, Costa do Marfim, acreditado pelo ISQ Apave, empresa especializada em engenharia e qualidade industrial, cujos técnicos se deslocam anualmente ao Lobito.
"Neste momento está cá a dar formação aos novos operadores e refrescamento aos mais antigos, sempre com o intuito de preservar a equipa e só em casos extremos é que iremos ao mercado", comentou.
Em termos de equipamentos, referiu que a empresa tem investido na aquisição de novas gruas, empilhadoras de vários tamanhos, camiões e outros meios, além da recuperação de equipamentos anteriormente existentes no Porto do Lobito.
Sobre o Corredor do Lobito, Ivo Ribeiro afirmou que a AGL Lobito Terminal está alinhada com o seu parceiro, a Lobito Atlantic Railway (LAR), no âmbito das operações de transporte ferroviário de mercadorias.
"O comboio vem da República Democrática do Congo, entra no nosso terminal e é descarregado, depois temos uma operação de pesagem, coloca-se o número de série e as etiquetas nas peças e, por último, volta-se a encher o contentor e exportar", explicou.
A AGL Lobito Terminal conta actualmente com 729 trabalhadores, dos quais seis são expatriados, e assumiu a gestão do terminal polivalente, que movimenta carga geral e contentorizada, a 11 de Dezembro de 2023. TC/CRB



