Luanda – O secretário de Estado do Planeamento, Luís Epalanga, advogou, esta segunda-feira, a necessidade de estimular o sector não petrolífero, para acelerar o crescimento económico e social do país.
Luanda – O secretário de Estado do Planeamento, Luís Epalanga, advogou, esta segunda-feira, a necessidade de estimular o sector não petrolífero, para acelerar o crescimento económico e social do país.
Em declarações à imprensa, no âmbito da apresentação do Relatório Foco do País 2026, justificou que o aumento da produção interna poderá contribuir para uma maior oferta de bens e, consequentemente, para a estabilidade dos preços.
O responsável apontou a coordenação entre a política fiscal e a política monetária como essencial para alcançar esses objectivos.
Segundo o secretário de Estado, o financiamento deverá ser direccionado para projectos sociais e infra-estruturas de apoio ao sector produtivo e para as medidas estruturais destinadas a reforçar a capacidade de mobilização de recursos.
Na estratégia de diversificação económica, destacou o agronegócio, pescas, sector mineiro, construção e serviços com potencial para atrair financiamento e investimento.
Economia com sinais consistentes
Luís Epalanga indicou que, não obstante os cenários de incerteza e adversidades do contexto internacional, a economia angolana tem vindo a apresentar sinais consistentes de resiliência, consubstanciados na recuperação da actividade económica, estabilização dos preços, com tendência de desaceleração, e sustentabilidade das finanças públicas e das contas externas.
Lembrou que no segundo trimestre de 2026 a economia angolana registou um crescimento homólogo do Produto Interno Bruto (PIB) de 8,74%, depois de 5,32% no trimestre anterior, perspectivando-se um crescimento de 5,57% para até ao final do ano.
Para si, os resultados reflectem uma maior resiliência e a crescente contribuição dos sectores não petrolíferos, sendo que entre 2021 e 2025 o peso do sector petrolífero no PIB reduziu de 23,83% para 13,95%, enquanto o sector não petrolífero passou a representar 86,05% da economia.
De acordo com o responsável, no segundo trimestre de 2026 o saldo fiscal registou um défice de 2,0 biliões de kwanzas, mais 2,2 biliões em comparação com o período homólogo, resultado do crescimento da despesa e da redução da receita.
Revelou, contudo, que o saldo primário foi deficitário, em 313,3 mil milhões de kwanzas, e o saldo fiscal não petrolífero agravou-se de 3,1 biliões para cerca de 5,6 biliões de kwanzas.
Indicou que este quadro reforça a necessidade de melhorar a qualidade da despesa pública, a eficiência na utilização dos recursos e a capacidade de orientar o financiamento para investimentos com maior impacto económico e social.
No sector externo, fez saber que a conta corrente atingiu 2,08 mil milhões de dólares, face aos cerca de 400 milhões no ano anterior, onde as Reservas Internacionais situaram-se em 14,94 mil milhões de dólares, equivalentes a cerca de sete meses de importações.
Ao mesmo tempo, disse o responsável, a dívida governamental aumentou 16,40% em termos homólogos, correspondendo a 51,24% do PIB, abaixo do limite de 60% estabelecido pela Lei da Sustentabilidade das Finanças Públicas.
O Relatório Foco do País 2026 subordinado ao tema “Mobilizar o financiamento do Desenvolvimento em Escala, Num Mundo Fragmentado” foi apresentado pelo Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) em parceria com o Governo angolano.HM/DC




