Continuar a ler
Os sindicatos pretendem saber como o conselho de administração, presidido por Tanislau Silva, vai solucionar os atrasos no pagamento de salários e quando tratará da revisão do qualificador ocupacional.
Em conferência de imprensa, o sindicalista Homero Magalhães afirmou que a EPASB, autónoma administrativa e financeiramente, tem condições para pagar salários de forma atempada.
"De 2010 a 2026, a Empresa de Águas anda em escândalos financeiros, existem casos de corrupção. Os sindicatos alertam há vários anos", indicou, antes de ter reforçado que instituições como a Procuradoria-Geral da República e a Inspecção Geral da Administração do Estado devem fiscalizar a aplicação das verbas da capitalização.
Por seu turno, o sindicalista Gabriel Joaquim reforça que a falta de diálogo, um "atropelo ao regulamento interno", pode motivar a convocação de uma greve em sede de assembleia de trabalhadores. "Não se sabe como se resolve o problema dos atrasos [salariais], os trabalhadores são prejudicados, mas também a população, que pode ficar sem o líquido precioso. Podemos paralisar o sector em Benguela", advertiu.
Gabriel Joaquim lembrou que este tipo de gestão isolada e sem abertura para o diálogo foi visível também na administração anterior, tendo ressaltado que "o resultado foi a assinatura de contratos que arruinaram a instituição".
Já o responsável da área jurídica do Sindicato da Indústria de Bebidas e Similares, Pedro Augusto, fez saber que a revisão do qualificador ocupacional leva um atraso de quatro anos. "Não estão a ser observados pressupostos legais, seria para 2022 o qualificador que atribui categorias justas aos trabalhadores", frisou.
Os sindicatos da EPASB voltam à carga numa altura em que, como noticiou o NJ, certos departamentos calculam os prejuízos decorrentes de indícios de gestão danosa atribuída ao anterior Conselho de Administração.
Abordado a propósito do buraco financeiro que afecta mais de 900 trabalhadores, o PCA da Empresa Provincial de Águas e Saneamento de Benguela disse estar em curso um processo de recuperação e reorganização financeira, com foco em melhorias na arrecadação de receitas.
Agora, os sindicatos falam em gestão isolada, mas Tanislau Silva tinha garantido abertura para o diálogo, respeito e sentimento de responsabilidade.



