A Sociedade Mineira do Chitotolo prevê ultrapassar, no final deste ano, a sua meta inicial de 350 mil quilates de diamantes, elevando a fasquia para os 360 mil quilates em 12 meses. O objectivo foi avançado ao Jornal de Angola pelo director adjunto para as Operações Mineiras, Mafefe Frazão Ndumba.
O responsável explicou que existem condições técnicas para garantir uma produção-base de 30 mil quilates por mês, o que resultará num incremento de 10 mil quilates face às previsões iniciais. Para alcançar esta meta, a empresa aposta numa equipa resiliente e altamente qualificada, focada em assegurar a estabilidade financeira e a sustentabilidade operacional da companhia. O desempenho é projectado mesmo face a desafios severos, como a avaria de equipamentos pesados de produção — com destaque para as bulldozers — e a exploração em áreas de menor teor diamantífero, localizadas sobretudo na Zona Norte. Segundo Mafefe Ndumba, embora a produção do ponto de vista métrico e volumétrico permaneça estável, o grande obstáculo reside na comercialização no mercado internacional. O surgimento e o crescimento dos diamantes sintéticos têm pressionado as margens de lucro, afectando os níveis de facturação global. Actualmente, a estratégia comercial da diamantífera prevê cerca de dez leilões anuais, gerando uma receita estimada em 160 milhões de dólares por ano — montante suficiente para garantir o equilíbrio operacional e o retorno dos sócios. Com três décadas de actividade no mercado, a Sociedade Mineira do Chitotolo já esgotou as suas jazidas mais ricas, operando agora em zonas residuais. Esta transição reduziu o teor de corte, dificultando o alcance dos indicadores desejados. Para o director, este cenário exige resiliência acrescida e rigor na gestão para manter a mina em pleno funcionamento. A produtividade também é sazonal, registando maior avanço no tempo seco em comparação com a época chuvosa. No leque de desafios para 2026, consta ainda o aumento substancial dos custos com combustíveis. As operações mineiras dependem fortemente do gasóleo que, além de ter sofrido reajustes de preço, continua a ser o recurso energético que melhor se adapta à logística pesada da extracção. Novas concessõesO responsável explicou que a Sociedade Mineira do Chitotolo detém uma concessão aluvionar estimada em 4.600 quilómetros quadrados. Contudo, após 30 anos de actividade, a empresa precisa de investir na prospecção de novas áreas para assegurar a sustentabilidade dos seus níveis de produção. Visando salvaguardar os níveis de produção actuais, decorrem diligências para identificar novas zonas de exploração diamantífera. A empresa estima que as reservas remanescentes assegurem as operações pelos próximos 20 anos. Segundo o director, a operação concentra-se, actualmente, nas zonas topograficamente mais elevadas, uma dinâmica que condiciona a gestão da vida útil da mina. Para mitigar este impacto, está prevista para este mês a chegada de uma nova sonda de prospecção, destinada a identificar novas áreas de extracção dentro da reserva existente.




