Pioneira do comércio electrónico em Angola multiplicou por oito a actividade desde 2021. Benguela e a República Democrática do Congo marcam a expansão.
A Tupuca, Lda. chegou à primeira década de actividade com um balanço que poucos anteviam no arranque: cinco milhões de entregas, milhões de clientes e milhares de colaboradores, segundo números divulgados esta semana pelo co-fundador Wilson Ganga.
O projecto nasceu da iniciativa de quatro jovens empresários. Erickson Mvezi, Wilson Ganga, Patrice Francisco e Sydney Teixeira constituíram a empresa em 2015, como a primeira plataforma de entrega de refeições do País, com pedidos a vários restaurantes a partir do telemóvel.
A entrada no mercado deu-se em Outubro de 2016, o que coincide com a data agora celebrada. No mesmo ano, a Tupuca foi escolhida pela Seedstars World como uma das dez melhores startups angolanas.
Os primeiros passos foram modestos. No terceiro trimestre de 2017, a empresa contava 30 trabalhadores. Pouco depois, a revista The Economist dava conta de 140 estafetas a realizar 17 mil entregas por mês, com um valor médio por encomenda de 40 dólares.
Nessa fase, a oferta alargou-se para lá das refeições: em parceria com a Roque Online, a plataforma passou a entregar mercearia, medicamentos e até animais vivos, numa aposta que, nas palavras de Erickson Mvezi, derrubava barreiras entre os mercados informal e formal.
Em 2018, a empresa realizou uma ronda junto de investidores privados de cerca de 200 mil dólares, contando a Seedstars entre os seus investidores. Durante a pandemia, a rede Kero recorreu à aplicação da Tupuca para lançar um serviço de entregas ao domicílio.
Benguela e o salto para o Congo
A expansão interna começou em 2021. A partir de 1 de Junho desse ano, a empresa passou a operar em Benguela, abrindo o corredor Sul, com o apoio da Unitel e com o Huambo apontado como destino seguinte.
À data, a Tupuca dispunha de mais de 300 estafetas, 200 mil utilizadores, 500 lojas activas e 600 mil entregas realizadas, garantindo mais de 400 empregos. Os cinco milhões agora anunciados representam um crescimento de mais de oito vezes em pouco mais de cinco anos.
O passo além-fronteiras surgiu em 2022. Erickson Mvezi anunciou o arranque na República Democrática do Congo exactamente sete anos após o registo da empresa em Angola, reafirmando a ambição de levar o serviço a toda a SADC.
A ideia vinha de trás: já em 2018 a empresa equacionava franquear a marca no Congo-Brazzaville e em Moçambique, perante o interesse de investidores.
Para o seu director executivo, o maior contributo da Tupuca foi outro. Segundo Mvezi, a empresa trouxe muitos trabalhadores da economia informal para a formal, com acesso a conta bancária e ao pagamento de impostos.




