Banguecoque (Do enviado Especial) – O Reino da Tailândia passa, a partir desta segunda-feira (12), a ser o terceiro país do mundo a acolher duas vezes as Reuniões Anuais do Grupo Banco Mundial (GBM) e do Fundo Monetário Internacional (FMI), que se realizam fora dos Estados Unidos da América (EUA), com a presença de Angola.
Banguecoque (Do enviado Especial) – O Reino da Tailândia passa, a partir desta segunda-feira (12), a ser o terceiro país do mundo a acolher duas vezes as Reuniões Anuais do Grupo Banco Mundial (GBM) e do Fundo Monetário Internacional (FMI), que se realizam fora dos Estados Unidos da América (EUA), com a presença de Angola.
O facto surge 35 anos depois de Banguecoque, capital tailandesa, ser a anfitriã do evento em 1991, dois anos depois de Angola ser membro das duas instituições de Bretton Woods.
A lista oficial do FMI mostra que 25 Reuniões Anuais foram realizadas fora de Washington até 2018, das quais a Turquia (Istambul) albergou duas vezes (1955 e 2009), enquanto o Japão (Tóquio) acolheu em duas ocasiões, em 1964 e 2012.
As Reuniões Anuais, normalmente, ocorrem na sede do Grupo Banco Mundial e do FMI, em Washington, em dois anos consecutivos, realizando-se a cada três anos em outro país membro.
O evento congrega presidentes dos bancos centrais, ministros das finanças e desenvolvimento, executivos do sector privado e representantes da sociedade civil, entre outros intervenientes, para debater questões de interesse global.
Entre os assuntos, habitualmente, a serem debatidos constam as perspectivas para a economia mundial, estabilidade financeira global, erradicação da pobreza, o crescimento económico inclusivo, a criação de empregos e as mudanças climáticas.
Este ano, o certame, que decorre de 12 a 18 de Outubro, soma a sua 82ª edição e tem como lema “Novos horizontes da Tailândia: Capacitar as pessoas, construir resiliência”.
Reino da Tailândia
O país anfitrião da presente edição do referido evento é uma das principais economias do Sudeste do continente asiático, com uma estrutura produtiva diversificada, baseada na indústria transformadora, nos serviços, no turismo, na agricultura e no comércio internacional.
Tailândia é classificada pelo Banco Mundial como uma economia de rendimento médio-alto e ocupa uma posição estratégica nas cadeias regionais de produção, sobretudo nos sectores automóvel, electrónico e agro-industrial.
A economia tailandesa distingue-se pela sua capacidade de exportação, pelas infra-estruturas relativamente desenvolvidas e pela atracção de investimento estrangeiro.
A sua moeda oficial é o baht tailandês (THB), emitido no âmbito do sistema monetário nacional pelo Banco da Tailândia, tendo o dólar norte-americano (USD) como uma moeda de referência importante para o comércio internacional.
A título de exemplo, um dólar americano corresponde a aproximadamente 33,56 baht tailandeses (um THB pode variar em torno de 27,21 kwanzas).
Crescimento económico
Segundo o Banco Mundial, o Produto Interno Bruto (PIB) nominal da Tailândia atingiu aproximadamente 577 mil milhões de dólares em 2025, um montante que equivale a cerca de 19,36 biliões de baht (527 biliões de kwanzas).
O PIB per capita foi de aproximadamente 8 057 dólares em 2025, correspondendo a cerca de 270 400 baht (7,36 milhões de kwanzas por habitante).
O Fundo Monetário Internacional (FMI) aponta que o crescimento real do PIB desacelerou de 2,5% em 2024 para 2,1% em 2025, estando projectado em 1,6% para 2026, associando a desaceleração às incertezas do comércio internacional, às restrições ao crédito e à recuperação mais lenta do turismo.
O Reino enfrenta também desafios relacionados com o crescimento económico moderado, envelhecimento demográfico, endividamento das famílias e a necessidade de aumentar a produtividade.
Principais sectores produtivos
A economia tailandesa combina actividades industriais, comerciais, agrícolas e de serviços com uma diversificação que constitui uma das suas principais vantagens em relação a economias fortemente dependentes de um único produto de exportação.
A indústria é um dos pilares da economia, com destaque para a produção automóvel, componentes electrónicos, equipamentos eléctricos, produtos químicos, têxteis e transformação alimentar.
A Tailândia participa nas cadeias internacionais de produção e abastecimento, sobretudo na região asiática, com a modernização tecnológica e a produção de bens de maior valor acrescentado a constarem para melhorar a competitividade.
No que o turismo internacional diz respeito, esse país constitui uma fonte importante de receitas, emprego e entrada de divisas.
A sua capital Banguecoque constitui um destino relevante, apesar de a recuperação mais lenta das chegadas de turistas estrangeiros tem condicionado o crescimento económico, de acordo com a análise do FMI.
Em relação à agricultura e agro-indústria, a Tailândia produz arroz, borracha natural, frutas e outros produtos agrícolas, além de desenvolver actividades de pesca e transformação alimentar.
Apesar de os dados indicarem que a agricultura tenha perdido peso relativo perante a indústria e os serviços, este sector continua a ser importante para o emprego rural, as exportações e o abastecimento da indústria alimentar.
O desenvolvimento da indústria de veículos eléctricos, dos semicondutores, dos centros de dados e das energias renováveis representa uma oportunidade para atrair investimentos e aumentar a produtividade.
O comércio externo tem um peso significativo na economia tailandesa, onde o país exporta veículos e componentes automóveis, equipamentos eléctricos, produtos electrónicos, produtos agrícolas e alimentos transformados. Em contrapartida, importa energia, máquinas, componentes industriais e matérias-primas.
Inflação e finanças públicas
A taxa de inflação tailandesa manteve-se muito reduzida em 2025, segundo o FMI, que aponta uma variação média dos preços no consumidor abaixo de 0,1%, estando prevista uma inflação de 0,4% em 2026.
No mercado de trabalho, a taxa de desemprego oficialmente registada é baixa, mas esse indicador não traduz, por si só, a qualidade do emprego, os níveis salariais ou a dimensão do trabalho informal, com o envelhecimento da população e a produtividade relativamente fraca a constituírem desafios estruturais.
Nas finanças públicas, o FMI estima que a dívida do sector público tenha correspondido a 64,8% do PIB em 2025 e projecta um aumento para 66,8% em 2026.
Origem das Reuniões Anuais do BM e FMI
O surgimento das Reuniões Anuais do BM e do FMI é marcado pela Conferência de Bretton Woods realizada em 1944, que criou ambos os organismos, com o objectivo de estabelecer um sistema monetário internacional estável e promover o desenvolvimento económico pós-Segunda Guerra Mundial.
Após essa conferência, o FMI focou-se na estabilidade do sistema monetário, enfrentando crises como a de 1971 (quando os EUA desvalorizaram o dólar) e a crise da dívida a partir de 1982, quando implementou planos de ajuste estrutural.
O Banco Mundial, por sua vez, concentrou-se em financiamento para o desenvolvimento económico e a redução da pobreza.
Angola é membro dessas duas instituições desde 1989 e, nos últimos anos, tem vindo a consolidar a sua relação com estas instituições, através de programas específicos orientados para a melhoria da gestão e consolidação das contas nacionais, o aperfeiçoamento dos mecanismos de investimento e a promoção do crescimento económico e social do país. HM/QCB




