A multinacional francesa TotalEnergies e a estatal Petróleos de Venezuela SA assinaram um memorando de entendimento para viabilizar o regresso da petrolífera europeia às operações de exploração e produção no país sul-americano. O acordo de cooperação energética foi formalizado numa cerimónia oficial na capital venezuelana, marcando uma nova etapa na captação de investimento estrangeiro para o sector de hidrocarbonetos daquela nação.
A cerimónia de assinatura foi liderada pela Presidente em exercício da Venezuela, Delcy Rodríguez. O documento foi subscrito pelo presidente da PDVSA, Héctor Obregón, e pelo vice-presidente sénior da TotalEnergies para as Américas, Francisco Javier Rielo. De acordo com o comunicado do Governo venezuelano, a subsidiária TotalEnergies E&P New Ventures será a entidade responsável por integrar os novos projectos energéticos no país.
Durante o acto, Delcy Rodríguez sublinhou que a Venezuela restabeleceu condições jurídicas fiáveis e seguras para atrair novos investimentos internacionais. Este cenário favorável decorre da recente aprovação da lei de hidrocarbonetos, implementada este ano após a destituição e captura do antigo presidente Nicolás Maduro pelas forças dos Estados Unidos da América, um acontecimento que redefiniu o panorama político e económico do país.
Tensões internacionais e atracção de grandes petrolíferas
O regresso da TotalEnergies ocorre num momento de forte reposicionamento geopolítico na região. No mês passado, o Presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou um plano para assumir o controlo maioritário de uma parte significativa das reservas petrolíferas da Venezuela. A medida gerou críticas internacionais devido ao receio de que o país se transforme numa colónia de recursos moderna, semelhante às repúblicas das bananas do século passado, o que poderá criar riscos operacionais de longo prazo para as empresas estrangeiras.
Apesar destas incertezas, o Governo venezuelano e os Estados Unidos anunciaram recentemente parcerias com grandes petrolíferas globais, incluindo a Chevron, a GE Vernova e a Eni, com o objectivo de impulsionar a produção de crude. Segundo o Secretário de Energia norte-americano, Chris Wright, estes acordos representam investimentos na ordem das dezenas de milhares de milhões de dólares, constituindo a maior injecção de capital estrangeiro no sector energético venezuelano desde a queda de Maduro.
O histórico da TotalEnergies na Venezuela
A TotalEnergies possui um longo histórico de operações na Venezuela, remontando à década de 1990. Contudo, em 2021, a empresa francesa, em parceria com a norueguesa Equinor, decidiu abandonar o projecto de exploração petrolífera de Petrocedeno, no âmbito de uma retirada geral de empresas estrangeiras do país. Na altura, o presidente executivo da empresa, Patrick Pouyanne, justificou a decisão com a estratégia global de redução da pegada de carbono, desvalorizando as motivações políticas.
Posteriormente, a multinacional também abandonou as suas operações de gás natural, alienando a sua participação maioritária na YPergas SA. Este novo memorando de entendimento sinaliza uma mudança de rumo estratégica para a TotalEnergies, que procura agora reposicionar-se num mercado venezuelano em profunda reestruturação legal e política.



