O mercado angolano apresenta, neste momento, vantagens comparativas e competitivas robustas que valorizam a sua inserção na Zona de Comércio Livre Continental Africana (AfCFTA).
O papel activo de Angola nas organizações internacionais, a modernização de infra-estruturas multimodais de transporte, as reformas regulatórias e a digitalização de processos foram apontados como passos qualitativos cruciais para posicionar o país como um dos principais centros do comércio intercontinental, em alinhamento com os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 das Nações Unidas.
Esta visão foi consensual entre os técnicos e especialistas em transporte e logística que participaram na mesa-redonda “Desbloqueando Barreiras: Diagnósticos e Soluções para os Principais Constrangimentos às Exportações”.
O debate integrou as actividades paralelas do último dia da segunda edição do Angola Hub Transporte e Logística Summit, evento realizado de 28 a 30 de Setembro no Centro de Convenções de Talatona (CCTA), sob a égide do Ministério dos Transportes.
Durante o fórum, lembrou-se que Angola é membro efectivo da Organização Internacional da Aviação Civil (ICAO) e subscritor do Mercado Único de Transporte Aéreo Africano (SAATM) desde Janeiro de 2018, além de integrar a Associação Internacional de Portos (IAPH) e outros comités globais do sector.
Certificação de Carga
A administradora da Agência, Regulação e Certificação de Carga Logística (ARCCLA), Paula Bartolomeu, reiterou o compromisso da instituição em trabalhar com os parceiros no sentido de criar as melhores condições para que a exportação de produtos agrícolas, minerais e bens processados tenham um peso cada vez maior no Produto Interno Bruto (PIB).
As plataformas logísticas, enfatizou Paula Bartolomeu, fazem parte de um processo muito adiantado, numa altura em que foi concluída a fase de estudos de viabilidade e decorrem os trâmites do concurso público para a gestão de algumas infra-estruturas de base na Plataforma logística da Caála, na província do Huambo.
Corredor do Lobito
O administrador da Lobito Atlântico Railway (LAR), Ottoniel Manuel, defendeu a utilização dos corredores regionais de forma complementar, de acordo com a localização e capacidade de resposta às necessidades do mercado.
O gestor fez estas considerações durante a intervenção na mesa-redonda com o tema “Corredores Estratégicos Africanos: Lobito, Nacala, Dar es Salam e Maputo”.
Segundo Ottoniel Manuel, desde a sua criação, a LAR tem registado um grande crescimento, tendo em conta o facto de movimentar 265 mil toneladas em 2025, o que representa um aumento na ordem de 51 por cento em relação ao período homólogo de 2024, em que transportou apenas 96 mil toneladas.
Hélder Jeremias




