A escritora angolana Rebeca Nessier, apelou à responsabilidade no uso das palavras e à preservação da confiança nas relações pessoais, numa reflexão sobre a divulgação de conversas privadas e as consequências que a exposição pública pode trazer para a vida das pessoas.
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A reflexão de Rebeca foi motivada pelo caso que envolve três artistas angolanos, na sequência da circulação nas redes sociais de um áudio com declarações atribuídas à cantora, que terá dado origem a um processo judicial.
Sem condenar ou defender qualquer um dos envolvidos, a escritora chamou a atenção para a facilidade com que conversas entre amigos, familiares ou colegas podem transformar-se em polémicas, sobretudo quando são divulgadas fora do contexto em que ocorreram.
“A responsabilidade pelas nossas palavras não começa quando ligamos um microfone, começa quando abrimos a boca”, afirmou a influenciadora ao sublinhar que a confiança entre as pessoas não elimina a responsabilidade pelo que é dito em privado.
A Nessier, questionou igualmente a divulgação de gravações sem autorização, e defende que é necessário considerar as circunstâncias e as consequências de cada situação. Ressalvou, no entanto, que existem casos em que uma gravação pode ser importante para denunciar abusos ou proteger vítimas, distinguindo essas situações da exposição destinada a humilhar alguém ou alimentar polémicas.
Rebeca dirigiu também uma mensagem aos jovens, alertando para os riscos da partilha indiscriminada de conteúdos nas redes sociais. Na sua perspectiva, nem todos os áudios recebidos devem ser encaminhados, uma vez que uma simples partilha pode provocar consequências difíceis de reparar.
Ao abordar a dimensão humana do caso, a escritora reconheceu que a condição de mãe pode despertar solidariedade, mas advertiu que a compaixão não deve ser confundida com impunidade.
“Ser mãe não coloca ninguém acima da lei, e recorrer à justiça não significa falta de coração”, declarou a escritora ao defender o respeito pelos direitos de quem apresenta uma queixa e de quem é acusado.
Para Rebeca, cabe à justiça ouvir as partes e avaliar as provas, sem que as redes sociais assumam o papel dos tribunais. A escritora considera possível demonstrar solidariedade perante uma situação difícil sem desrespeitar os direitos de qualquer dos envolvidos.
“Que este caso não sirva para destruir pessoas, mas para despertar consciência, porque as palavras têm consequências, a confiança tem valor e a justiça precisa de humanidade”, concluiu.




