O Primeiro-Ministro da Etiópia, Abiy Ahmed, tomou posse para um segundo mandato depois de ter sido reconduzido no cargo pelo parlamento. Isto acontece após a expressiva vitória do seu partido nas eleições de Junho.
"Abiy Ahmed é nomeado Primeiro-Ministro da Etiópia", anunciou o recém-eleito presidente do Parlamento, Ahmed Shide, numa sessão televisiva na segunda-feira. O Partido da Prosperidade garantiu uma larga maioria no parlamento, conquistando 438 dos lugares anunciados. O novo mandato parlamentar começou oficialmente a 5 de Outubro de 2026, abrindo caminho para a formação do novo governo de Abiy.
Abiy Ahmed, que chegou ao poder pela primeira vez em 2018, inicia o novo mandato de cinco anos, numa altura em que a Etiópia enfrenta grandes desafios, incluindo o retomar dos conflitos em Tigray e as tensões com alguns países vizinhos. O seu Governo afirma que as suas prioridades incluem o desenvolvimento económico, o diálogo nacional, bem como a paz e a estabilidade.
A tomada de posse acontece depois das forças federais etíopes controlarem totalmente a capital regional dos rebeldes de Tigray, disse um jornalista local no domingo. A Frente de Libertação do Povo de Tigray (TPLF) lançou ataques contra as forças federais a 23 de Setembro, gerando receios de um regresso à guerra civil de 2020-2022.
A Etiópia acusou a Eritreia de apoiar directamente os rebeldes de Tigray, uma alegação que Asmara nega. Uma contraofensiva fez com que as forças etíopes avançassem profundamente em território controlado pelos rebeldes, entrando na capital regional, Mekelle, no sábado, sem resistência, enquanto os líderes e as tropas do TPLF abandonavam a cidade.
As tropas federais patrulhavam Mekelle e ocupavam instituições importantes no domingo, disse um jornalista local à AFP, enquanto as comunicações eram restabelecidas pela primeira vez em mais de uma semana. "Assumimos o controlo de Mekelle e estamos a avançar", disse à AFP um comandante de uma milícia pró-governamental.
Os negócios e as lojas permaneceram encerrados, com os proprietários a transferirem antecipadamente os seus stocks para locais mais seguros, temendo saques e vandalismo. A Frente de Libertação do Povo Tigray (TPLF) governou a Etiópia de 1991 a 2018.
A ascensão do Primeiro-Ministro Abiy Ahmed, originário da região de Oromia, pôs fim ao seu domínio. As tensões levaram a uma guerra civil de 2020 a 2022 que fez mais de 600 mil mortos, segundo a União Africana. O acordo de paz de Pretória de 2022, intermediado por instituições africanas e de Washington, ajudou a manter a paz até ao ano passado.
Reafirmação dos interesses no Mar Vermelho
A Etiópia reafirmou, na segunda-feira, os seus “interesses legítimos” no Mar Vermelho e o seu papel central na bacia do Nilo, rejeitando a pressão política e as “medidas coercivas” sobre os seus interesses regionais.
Em comunicado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Etiópia afirmou que praticamente todo o Nilo Azul, ou Rio Abay, nasce nas terras altas etíopes e contribui com cerca de 85% do caudal total do Nilo.“Qualquer discussão sobre a utilização e gestão do rio Abay deve basear-se nestas realidades fundamentais”, afirmou o ministério.
Enfatizou ainda os laços geográficos e históricos da Etiópia com o Mar Vermelho, referindo que a sua fronteira mais próxima fica a “apenas 48 quilómetros da costa”.O ministério afirmou que os acordos marítimos e de segurança regionais devem ter em conta os interesses da Etiópia.
“Estas realidades geográficas e históricas não podem ser alteradas por retórica política, medidas coercivas ou atos de desestabilização”, acrescentou o comunicado.
“Acções tomadas através de representantes ou actos de agressão não alterarão os factos no terreno, nem diminuirão os interesses legítimos, o papel e as responsabilidades da Etiópia na região.”
A declaração foi feita após uma cimeira quadrilateral no Egipto, no domingo, que contou com a participação do Presidente egípcio, Abdel Fattah El-Sisi, do presidente da Eritreia Isaias Afwerki, do Presidente da Somália Hassan Sheikh Mohamud e do presidente do Conselho Soberano de Transição do Sudão, Abdel Fattah al-Burhan.




