África do Sul: alta patente da polícia baleado antes de depor em caso de corrupção

Uma alta patente da polícia sul-africana foi baleada e gravemente ferida no interior do seu veículo, em Johannesburg, poucos dias antes de comparecer perante uma comissão de inquérito sobre alegadas redes de corrupção e crime organizado no seio das forças de segurança.
Trata-se do major-general Feroz Khan, vice-chefe dos serviços de inteligência criminal, que foi atacado na noite de domingo, enquanto regressava para casa. O oficial foi submetido a uma cirurgia de emergência e encontra-se sob cuidados médicos num hospital da cidade.
Segundo autoridades locais, o caso está sob investigação, enquanto a polícia apura as circunstâncias do ataque. A porta-voz da polícia, brigadeira Athlenda Mathe, apelou à cautela, rejeitando conclusões precipitadas sobre uma eventual ligação entre o tiroteio e o depoimento que Khan deveria prestar à Comissão Madlanga.
A comissão foi criada na sequência de alegações de infiltração do crime organizado em instituições do Estado e órgãos de aplicação da lei, apresentadas pelo tenente-general Nhlanhla Mkhwanazi.
Feroz Khan estava entre as figuras chamadas a depor como testemunha, após o seu nome surgir no decurso das investigações. O oficial deveria responder a questões relacionadas com uma operação antidroga falhada em 2021, em Joanesburgo, além de alegações divulgadas pela imprensa local sobre supostos contactos com figuras políticas.
De acordo com relatos da imprensa internacional, incluindo a BBC, Khan também tentou limitar o acesso de investigadores a dispositivos apreendidos durante diligências anteriores e solicitou que o seu depoimento fosse realizado à porta fechada, pedidos que não foram aceites.
O ataque aumenta as preocupações em torno da segurança de envolvidos no processo de investigação. Em dezembro, outra testemunha ligada à mesma comissão foi assassinada após prestar depoimento.
Khan foi detido em maio, juntamente com outros agentes e um empresário, num caso relacionado com alegada posse e tráfico de ouro. O episódio está ligado a uma ocorrência no Aeroporto Internacional OR Tambo, em 2021, onde foi apreendida uma quantidade de ouro não refinado.
As autoridades continuam a investigação, enquanto o oficial ainda não se pronunciou publicamente sobre o ataque nem sobre as acusações que enfrenta.


