Pretória (Da correspondente) – A África do Sul celebra este domingo o Dia Nacional da Mulher, num tributo à coragem, à liderança e às contribuições das sul-africanas que marcaram a história do país e inspiraram sucessivas gerações.
Pretória (Da correspondente) – A África do Sul celebra este domingo o Dia Nacional da Mulher, num tributo à coragem, à liderança e às contribuições das sul-africanas que marcaram a história do país e inspiraram sucessivas gerações.
A data homenageia as heroínas cujos nomes jazem nas diversas lápides e outras anónimas que desafiaram o regime do apartheid e protagonizaram a histórica luta contra a imposição dos passes de circulação, símbolo da segregação racial.
As celebrações deste ano têm como novidade a inclusão da iniciativa "Retratos Internacionais de Mulheres Exemplares", destinada a ampliar o reconhecimento de personalidades femininas de diferentes países, reforçando a dimensão internacional das homenagens.
O Mês da Mulher 2026 foi oficialmente lançado no dia 1 de Agosto, em Durban, província de KwaZulu-Natal, pela ministra da Presidência responsável pelas Mulheres, Juventude e Pessoas com Deficiência, Sindisiwe Chikunga, sob o lema "Mulheres Empoderadas Empoderam a Nação".
Na ocasião, a governante inaugurou igualmente a feira comercial "EmpowerHer Market", promovida em parceria com o Banco ABSA, iniciativa destinada a fortalecer o empoderamento económico das mulheres empreendedoras.
O projecto oferece um espaço para que empresas lideradas por mulheres possam expor os seus produtos e serviços, conquistar novos mercados, estabelecer parcerias comerciais e interagir com potenciais investidores e clientes.
Este passo representa um reconhecimento do papel determinante das mulheres na economia sul-africana, ao mesmo tempo que evidencia os desafios que continuam a enfrentar, nomeadamente o acesso limitado ao financiamento, às oportunidades de contratação pública, aos mercados, à informação, à tecnologia e aos mecanismos de apoio ao desenvolvimento empresarial.
Segundo Sindisiwe Chikunga, estas dificuldades são agravadas por factores como a pobreza, o desemprego, a desigualdade salarial, a discriminação e a violência baseada no género, incluindo o feminicídio (GBVF, na sigla em inglês).
Entretanto, no âmbito da abertura da Jornada da Mulher, na província de Gauteng, sede do Governo sul-africano, a Presidência da República, em parceria com o Instituto Charlotte Mannya Maxeke e diversas missões diplomáticas acreditadas no país, promove a 4 de Agosto uma exposição fotográfica no anfiteatro do Union Buildings, em Pretória.
A mostra presta homenagem a Charlotte Makgomo Mannya Maxeke, uma das figuras mais emblemáticas da história sul-africana.
Líder religiosa, activista social e política, Charlotte Maxeke tornou-se, em 1903, na primeira mulher negra da África do Sul a obter o grau de Bacharel em Ciências pela Universidade de Wilberforce, no estado de Ohio, Estados Unidos da América, sendo igualmente a primeira mulher africana formada numa universidade norte-americana.
Nascida a 7 de Abril de 1871, na actual província de Limpopo, Charlotte Maxeke faleceu a 16 de Outubro de 1939, deixando um legado incontornável na luta pelos direitos das mulheres e pela justiça social.
Inspirada na sua trajectória, a exposição vai apresentar retratos de mulheres icónicas cujos legados espelham a história, os valores e as aspirações dos respectivos países.
As obras resultam da colaboração entre artistas sul-africanos e as embaixadas participantes, numa iniciativa que reforça os laços culturais e diplomáticos.
De acordo com um comunicado da Presidência sul-africana, a iniciativa pretende valorizar o activismo feminino em prol da igualdade, preservar a memória da luta pela libertação e fortalecer a diplomacia cultural no âmbito da campanha "Marcos da Liberdade", recentemente lançada.
A exposição reunirá representantes governamentais, profissionais da cultura, académicos e missões diplomáticas provenientes de África, Europa, Ásia e Oceania, sendo o legado de cada personalidade retratado através de uma fotografia produzida especialmente para a ocasião.
Mais do que uma celebração simbólica, o Agosto Mulher reafirma o compromisso da África do Sul com a valorização da mulher, o reconhecimento do seu papel na construção da sociedade e a promoção da igualdade de oportunidades, transformando a memória histórica num instrumento de inspiração para as novas gerações. RB/CV




