As forças de segurança da África do Sul detiveram, este ano, 59.947 estrangeiros indocumentados em operações contra a imigração irregular e outros crimes, no meio de uma vaga de ataques xenófobos, informaram, ontem, as autoridades locais.
A África do Sul “mantém-se estável” e “prevalecem a lei e a ordem”, apesar dos protestos anti-imigração e de outros desafios de segurança, afirmou, numa conferência de imprensa, em Pretória, a tenente-general Tebello Mosikili, que co-preside a Estrutura Nacional Conjunta de Operações e Informações (NATJOINTS, na sigla em inglês). Só em Julho, foram detidos 16.208 estrangeiros indocumentados no decurso de várias operações que "se realizam diariamente nas nove províncias do país e têm como alvo suspeitos procurados, armas ilegais, drogas, crime organizado, criminosos perigosos e estrangeiros sem documentação", explicou Mosikili. As autoridades elevaram também para 77.184 o número de repatriações de estrangeiros processados até 03 de Agosto, um número que continua a ser muito inferior à soma dos regressos comunicados pelos governos de vários países africanos de onde provêm estes migrantes. De facto, só os repatriados do Zimbabwe ascenderiam já a mais de 115.000, de acordo com os dados divulgados na semana passada pelo Governo deste país. A tensão mantém-se na África do Sul devido às marchas organizadas por diferentes grupos anti-imigração, embora, segundo a NATJOINS, estas "tenham diminuído significativamente" desde a grande manifestação de 30 de junho, data que os organizadores tinham estabelecido como prazo para que os indocumentados abandonassem o país. As províncias de Gauteng (Norte), Mpumalanga (Nordeste) e KwaZulu-Natal (Leste) continuam a registar protestos "isolados e localizados", embora a maioria se tenha mantido "pacífica e dentro da lei", precisou Mosikili. A tenente-general alertou também para a divulgação de desinformação nas redes sociais, salientando que vários vídeos "estão a associar falsamente alguns crimes" à imigração irregular. "Ninguém pode fazer justiça pelas próprias mãos", sublinhou, afirmando que as operações continuarão de forma "legal e humana" e em conformidade com a Constituição sul-africana, enquanto a segurança nas zonas fronteiriças foi reforçada. Revistas deslocações de ex-Presidentes ao estrangeiro O ministro dos Negócios Estrangeiros da África do Sul quer novas regras e “mais transparência” para os antigos Chefes de Estado que realizam viagens ao estrangeiro. A recomendação ao Parlamento surge após uma visita controversa à Índia, no mês passado, do ex-Presidente Jacob Zuma, onde se encontrou com um dos empresários alegadamente envolvidos num enorme escândalo de corrupção que desempenhou um papel na queda do seu Governo. A polémica em torno do seu encontro com Ajay Gupta levou um ministro a dizer que Zuma estava a mostrar um "gesto inadequado" à África do Sul. Há cerca de uma década, os irmãos Gupta foram acusados de lucrar com os seus laços estreitos com o então Presidente Zuma e de influenciar a política sul-africana. Ambas as partes negaram as acusações. A família Gupta deixou a África do Sul em 2018, depois de uma comissão judicial ter começado a investigar as alegações de que estavam envolvidos numa fraude maciça, conhecida como “captura do Estado”. Em 2022, a comissão concluiu que Zuma tinha contratado e demitido ministros essenciais para a gestão da economia do país a mando da família Gupta. As autoridades sul-africanas acabaram por cancelar o mandado de detenção contra Ajay Gupta. Os dois irmãos mais novos Gupta, Atul e Rajesh, foram para os Emirados Árabes Unidos (EAU), onde um tribunal, em 2023, rejeitou um pedido sul-africano de extradição. Desde então, Zuma foi expulso do Congresso Nacional Africano (ANC), partido que liderou, e dirige agora o partido da oposição Mkhontowe Sizwe (MK). Durante a visita de Zuma à Índia, foi tirada uma fotografia do político sul-africano de 84 anos com Ajay Gupta, num templo indiano. O alto-comissário da África do Sul na Índia, Anil Sooklal, também foi fotografado com a dupla e, desde então, foi chamado de volta ao cargo. O diplomata negou qualquer irregularidade. O ministro dos Negócios Estrangeiros, Ronald Lamola, afirmou que o seu departamento apresentou uma recomendação ao parlamento e ao gabinete do Presidente para novos protocolos para os antigos Chefes de Estado durante as viagens efectuadas ao estrangeiro.




