África do Sul reforça segurança para conter violência xenófoba e apela à calma

O Presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, garantiu que as forças de segurança estão mobilizadas para impedir qualquer tentativa de desestabilização do país, na sequência das tensões provocadas por uma campanha anti-imigração que tem alimentado receios de novos episódios de violência xenófoba.
Falando perante a câmara alta do Parlamento, o chefe de Estado advertiu que o Governo não permitirá manifestações ou outras ações que coloquem em risco a ordem pública, assegurando que os infratores serão responsabilizados nos termos da lei.
“Não toleraremos nenhuma tentativa de desestabilizar o país, seja através de marchas ou de qualquer outra forma. As nossas forças de segurança estão preparadas e quem violar a lei enfrentará as devidas consequências”, afirmou.
As declarações surgem numa altura em que a polícia sul-africana reforçou o dispositivo de segurança em todo o território nacional para o dia 30 de junho, considerado um período de elevado risco, enquanto o Governo intensifica contactos com líderes comunitários e tradicionais, incluindo a influente Casa Real Zulu, para promover um ambiente de tranquilidade.
O país permanece em estado de alerta após várias semanas de incidentes de natureza xenófoba, alguns dos quais evoluíram para confrontos violentos. Segundo dados oficiais, pelo menos três pessoas perderam a vida, enquanto as autoridades de Moçambique confirmaram a morte de cinco cidadãos moçambicanos.
A escalada da tensão levou ainda milhares de cidadãos estrangeiros a optarem pelo regresso voluntário aos seus países de origem, incluindo Gana, Malawi, Moçambique e Nigéria. Em cidades como Durban e Joanesburgo, foram instalados acampamentos temporários para acolher pessoas que aguardam transporte, situação que levou organizações humanitárias a alertarem para o agravamento das necessidades de assistência.
O Presidente Ramaphosa reiterou que o Executivo está a trabalhar para garantir que o dia 30 de junho decorra com normalidade, permitindo que os cidadãos prossigam as suas atividades sem perturbações.
A África do Sul continua a ser um dos principais destinos de migração laboral no continente africano. Contudo, a elevada taxa de desemprego, estimada em cerca de 32 por cento, tem intensificado a competição por oportunidades de trabalho e alimentado sentimentos de hostilidade contra comunidades estrangeiras.
Embora o Governo e as principais centrais sindicais defendam que os migrantes estão a ser transformados em bodes expiatórios para problemas estruturais da economia e da criminalidade, alguns setores políticos têm explorado a questão no contexto das eleições autárquicas previstas para este ano.
A violência xenófoba não é um fenómeno novo na África do Sul. Em 2008, confrontos contra cidadãos estrangeiros provocaram a morte de 62 pessoas. Mais recentemente, em 2019, ataques a estabelecimentos comerciais pertencentes a estrangeiros, nos arredores de Joanesburgo, resultaram em pelo menos 12 mortos, entre os quais dez cidadãos sul-africanos, evidenciando a persistência dos desafios relacionados com a convivência social e a proteção das comunidades migrantes.



