Sete grupos armados etíopes anunciaram a formação de uma aliança contra o Governo Federal, numa movimentação que aumenta a tensão num país que continua a enfrentar conflitos armados em diferentes regiões.
O anúncio foi feito nleste domingo, 20, pelo vice-presidente da Frente de Libertação do Povo Tigray, TPLF, Amanuel Assefa, que afirmou que a nova aliança pretende derrubar o Governo e facilitar a formação de uma administração de transição.
Entre os grupos que integram a frente estão as forças de Tigray, as milícias nacionalistas Amhara Fano e o Exército de Libertação Oromo, OLA, além de outras quatro organizações armadas.
Segundo Amanuel Assefa, os grupos mantêm negociações há mais de um ano e decidiram agora avançar com uma plataforma comum. O líder do Fano, Zemene Kasse, deverá presidir à aliança.
A iniciativa surge num momento de particular tensão em Tigray. Segundo a União Africana, forças do Governo Federal e da TPLF têm concentrado tropas junto à fronteira da região nos últimos meses, aumentando os receios de um novo confronto.
A eventual reactivação do conflito preocupa devido ao impacto da guerra de Tigray, travada entre 2020 e 2022 e que, segundo estimativas citadas pela AFP, terá provocado cerca de 600 mil mortes.
A Etiópia enfrenta também conflitos prolongados em Amhara e Oromia. As forças federais combatem a OLA desde 2018 em Oromia, enquanto as milícias Fano entraram em confronto com o Governo em 2023, depois de uma tentativa das autoridades de as desarmar.
A formação da nova aliança reúne, entretanto, grupos com um histórico de confrontos e interesses divergentes. As forças de Tigray e os combatentes Fano estiveram em lados opostos durante a guerra de Tigray, enquanto o controlo do Tigray Ocidental continua a ser uma questão territorial disputada.
Amanuel Assefa afirmou que as diferenças entre os grupos poderão ser discutidas posteriormente através do diálogo, defendendo que, neste momento, a prioridade é a cooperação contra o Governo Federal.
O especialista em assuntos regionais Kjetil Tronvoll considera que a capacidade da aliança para derrubar o Governo permanece incerta, mas admite que uma coordenação militar entre várias frentes poderá representar um desafio para as forças federais.
As autoridades etíopes ainda não reagiram oficialmente ao anúncio da formação da nova aliança.



