Analistas da Guiné-Bissau, de Moçambique e de Angola consideram que o país entra numa fase política delicada, com as eleições presidenciais e legislativas marcadas para 6 de Dezembro de 2026, depois da ruptura da ordem constitucional em Novembro de 2025.
Em declarações esta quarta-feira à Rádio Correio da Kianda, o jurista guineense Marcelino Ntupe questionou se estão reunidas as condições políticas e institucionais necessárias para a realização de eleições credíveis. A preocupação surge num contexto em que o país continua sob um regime de transição e em que a organização eleitoral enfrenta desafios.
A própria Comissão Nacional de Eleições já tinha alertado para dificuldades materiais, incluindo falta de urnas e equipamentos, tendo defendido um novo recenseamento eleitoral antes do próximo escrutínio.
Já o jornalista moçambicano Romeu Carlos considera que a instabilidade registada no país pode alimentar receios entre os cidadãos e dificultar o processo de regresso à normalidade democrática.
O jornalista defende igualmente o diálogo entre os principais actores políticos, incluindo Umaro Sissoco Embaló e Domingos Simões Pereira, como forma de reduzir as tensões e criar condições para uma disputa eleitoral.
A situação ganhou novo elemento esta semana, depois de Sissoco Embaló anunciar que será candidato às presidenciais e que pretende regressar à Guiné-Bissau a 4 de Outubro.
Por sua vez, Domingos Simões Pereira afirmou que está a avaliar se existem condições políticas para apresentar a sua candidatura, questionando se haverá igualdade e segurança para todos os concorrentes.
Para o especialista angolano em Relações Internacionais, Adão Baião, o cenário continua incerto e o futuro político da Guiné-Bissau dependerá da capacidade dos diferentes actores de ultrapassarem as divergências e garantirem um processo eleitoral aceite pelos principais intervenientes.
O país encontra-se em transição desde o golpe militar de 26 de Novembro de 2025, que interrompeu o processo eleitoral então em curso. Desde então, as autoridades de transição têm anunciado medidas destinadas a preparar o regresso à ordem constitucional, incluindo a realização de um referendo constitucional em Agosto e a convocação das eleições de Dezembro.
Com a aproximação das eleições, o debate político na Guiné-Bissau passa agora pela criação de condições para garantir a participação dos diferentes actores, a segurança dos candidatos e eleitores e a credibilidade do processo eleitoral.




