Angola e Moçambique chegam à 81.ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas com diferentes desafios nacionais e regionais, mas com expectativas centradas em questões de segurança, desenvolvimento económico e pacificação.
O tema foi analisado esta terça-feira, 22, no programa Capital Central da Rádio Correio da Kianda, por intervenientes convidados para comentar os discursos dos chefes de Estado africanos na ONU, entre eles o jornalista moçambicano Romeu Carlos e o especialista angolano em relações internacionais Horácio Simba.
O Presidente da República, João Lourenço, deverá subir hoje à tribuna das Nações Unidas para apresentar a posição de Angola no Debate Geral da 81.ª sessão. A participação angolana decorre sob o lema da sessão: “Restaurar a Confiança, Gerir a Transformação: uma Organização das Nações Unidas que Produz Resultados para Todos”.
Na análise, Horácio Simba apontou a segurança na região dos Grandes Lagos como um dos temas que poderá merecer atenção no discurso do Chefe de Estado angolano, particularmente o conflito entre a República Democrática do Congo e o Ruanda e a actuação do M23.
Para o especialista, a pacificação da região é fundamental para criar condições de desenvolvimento nos países africanos.
A diplomacia económica foi igualmente apontada como uma possível componente da intervenção de João Lourenço, sobretudo para apresentar as oportunidades de investimento existentes em Angola e as medidas adoptadas para facilitar a entrada de capital estrangeiro.
Horácio Simba destacou ainda a integração económica africana como outro dos assuntos que poderá ser levado à tribuna das Nações Unidas.
Já o jornalista moçambicano Romeu Carlos apresentou expectativas diferentes para a intervenção do Presidente Daniel Chapo, centradas nos principais desafios que afectam Moçambique.
O primeiro eixo apontado pelo jornalista é a segurança, com destaque para o terrorismo que afecta o norte do país. Romeu Carlos defende que Moçambique deverá procurar, no plano internacional, novas formas de cooperação para reforçar o combate ao terrorismo.
No plano económico, o jornalista moçambicano considera importante que o país apresente soluções de médio e longo prazo para enfrentar as dificuldades económicas e fiscais, aproveitando igualmente as oportunidades existentes nos sectores da indústria extractiva e da energia, particularmente o gás e o petróleo.
A terceira dimensão apontada por Romeu Carlos está relacionada com a pacificação e a coesão interna de Moçambique, num contexto que classificou como turbulento.
O jornalista defendeu, por isso, que a reconciliação deve constituir uma das prioridades do país na sua intervenção internacional.
As expectativas apresentadas pelos dois intervenientes reflectem desafios distintos: enquanto Angola poderá colocar em destaque a segurança regional, a diplomacia económica e a integração africana, Moçambique enfrenta questões ligadas ao terrorismo, à situação económica e à consolidação da paz e da coesão interna.
O Presidente moçambicano, Daniel Chapo, participa hoje na abertura dos debates de alto nível da 81.ª sessão da Assembleia Geral da ONU, em Nova Iorque.




