A Arábia Saudita registou, este sábado, 10, um dos ataques mais mortíferos dos últimos anos, após um míssil atingir um complexo do Aeroporto Internacional Rei Khalid, em Riade. O incidente provocou 12 mortos e 309 feridos, segundo informações divulgadas pela autoridade da aviação civil saudita e pela agência Lusa.
O ataque atingiu uma área que alberga os terminais 3 e 4, destinados a voos domésticos, levando à suspensão das operações aeroportuárias. Entre as vítimas mortais estão quatro cidadãos sauditas, dois bangladechianos, um norte-americano, um egípcio, um argentino, um sírio, um palestiniano e um sudanês.
A coligação militar liderada pela Arábia Saudita, que apoia o Governo internacionalmente reconhecido do Iémen, atribuiu a responsabilidade pelo ataque aos rebeldes huthis, apoiados pelo Irão. A coligação classificou a ofensiva como um possível crime de guerra e prometeu uma resposta firme.
O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, declarou-se profundamente chocado com o ataque e condenou a ofensiva contra o aeroporto de Riade.
Guterres recordou que os ataques contra civis e infra-estruturas civis constituem uma violação do Direito Internacional, exigindo a cessação imediata deste tipo de acções.
Na sequência do incidente, as autoridades sauditas anunciaram medidas de segurança adicionais. As escolas de Riade também decidiram recorrer ao ensino à distância, pela segunda vez em menos de um mês.
Entretanto, a coligação militar informou que outro projéctil caiu nas proximidades do aeroporto de Dammam, no leste do país. Os aeroportos de Dammam e Jeddah são considerados alternativas importantes ao de Riade.
O ataque ocorre num contexto de crescente tensão no Médio Oriente, marcado pela guerra contra o Irão e pela intensificação dos confrontos envolvendo os huthis no Iémen.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, considerou o ataque inaceitável e anunciou que iria conversar com o príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, líder de facto do reino.
Questionado sobre a possibilidade de envolvimento militar directo dos Estados Unidos no combate aos huthis, Trump respondeu que a hipótese seria analisada.
Segundo informações divulgadas pela imprensa norte-americana, Riade terá solicitado apoio dos Estados Unidos para enfrentar os rebeldes iemenitas.
A escalada militar também levanta preocupações sobre a segurança da navegação internacional. Os rebeldes huthis terão intensificado a sua ofensiva no Iémen, procurando ampliar o controlo sobre áreas costeiras do mar Vermelho e sobre o estreito de Bab el-Mandeb, uma passagem estratégica para o comércio marítimo mundial.
A importância desta rota aumentou no contexto das perturbações no estreito de Ormuz, outra via fundamental para o transporte internacional de petróleo.
Os recentes ataques contra Riade representam uma nova fonte de preocupação para as autoridades sauditas, sobretudo numa altura em que o reino se prepara para acolher uma importante conferência internacional de investimento, que reúne líderes políticos e representantes do sector empresarial.
As informações sobre a autoria e a evolução das operações militares continuam a exigir cautela, uma vez que as alegações das partes envolvidas não podem ser verificadas de forma independente em todos os casos.




