Ataques, confrontos e movimentação de forças militares estão a aumentar a tensão no norte da Etiópia, sobretudo na região de Tigray, reacendendo os receios de uma nova guerra no país.
A escalada intensificou-se nos últimos dias, com confrontos entre forças federais e forças tigrínicas em diferentes pontos de Tigray e nas regiões vizinhas de Afar e Amhara. As partes apresentam versões diferentes sobre a origem dos combates, com o Governo federal a acusar a Frente de Libertação do Povo Tigray, TPLF, de iniciar a ofensiva, enquanto as autoridades de Tigray afirmam estar a responder a ataques das forças federais.
As forças tigrínicas assumiram o controlo de aeroportos em Mekelle, Axum e Shire, segundo informações de organizações de monitoria e meios de comunicação internacionais. A situação levou a Ethiopian Airlines a suspender os voos para vários destinos de Tigray.
A região também tem sido alvo de ataques com drones. As autoridades de Tigray acusam as forças federais de realizar bombardeamentos contra posições e áreas da região, enquanto informações de monitoria de conflitos apontam para ataques de drones contra forças tigrínicas nas últimas semanas.
A nova escalada acontece poucos dias depois de sete grupos armados e políticos etíopes, incluindo a TPLF, anunciarem uma aliança denominada Ethiopian Peoples’ Forces Alliance for Survival, que declarou como objectivo afastar o Governo de Addis Abeba. A coligação reúne grupos de Tigray, Amhara, Oromia, Afar e outras regiões.
A situação levou organizações regionais e governos estrangeiros a apelarem à contenção. A IGAD pediu o fim das hostilidades e o regresso ao diálogo, enquanto o Reino Unido apelou a todas as partes para evitarem uma nova escalada e defendeu uma solução política através da mediação da União Africana.
A actual crise ocorre quatro anos depois do fim da guerra de Tigray, encerrada em Novembro de 2022 através de um acordo de paz mediado pela União Africana. Apesar do acordo, várias questões relacionadas com o conflito permaneceram por resolver.
A guerra anterior, que durou dois anos, provocou centenas de milhares de mortes e deixou uma grave crise humanitária. Dados citados pela Al Jazeera indicam que cerca de 750 mil pessoas continuam deslocadas internamente em Tigray devido ao conflito anterior.
Com os confrontos a alastrarem para regiões vizinhas, a movimentação de forças e a formação de novas alianças armadas aumentam as preocupações sobre a estabilidade no norte da Etiópia e sobre o futuro do acordo de paz de 2022.




