A atribuição do Prémio Nobel da Paz de 2026 à antiga Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, a jurista sul-africana Navi Pillay, está a gerar uma forte contestação internacional por parte de organizações não governamentais e representantes diplomáticos. A escolha da laureada, de 85 anos de idade, reativou debates intensos sobre a sua atuação e imparcialidade na liderança de comissões de inquérito da Organização das Nações Unidas (ONU) focadas no Médio Oriente.
O Comité Nobel Norueguês justificou a distinção de Pillay destacando o seu longo percurso na consolidação do direito internacional e na responsabilização de autores de crimes de guerra, crimes contra a humanidade e genocídio. Nascida em Durban em 1941, a jurista sul-africana notabilizou-se na luta contra o regime do apartheid, tornando-se a primeira mulher não branca a integrar o Tribunal Supremo da África do Sul, tendo posteriormente servido como juíza no Tribunal Penal Internacional para o Ruanda e no Tribunal Penal Internacional.
Críticas apontam alegada parcialidade e quebra de ética
Apesar do reconhecimento oficial, grupos de advocacia e vigilantes da ONU, como a organização UN Watch, criticaram severamente a decisão. O diretor-executivo da UN Watch, Hillel Neuer, argumentou que o histórico de Pillay a desqualifica para receber o galardão, apontando para a sua assinatura em manifestos que pediam sanções a Israel antes de assumir cargos neutros de investigação. Outras vozes críticas acusam a jurista de tolerar discursos considerados antissemitas e de desvirtuar padrões universais de direitos humanos para deslegitimar a autodeterminação judaica.
Secretário-Geral da ONU manifesta apoio à laureada
Em sentido oposto, o Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, felicitou calorosamente Navi Pillay pela conquista do Prémio Nobel da Paz. Em comunicado oficial, Guterres elogiou as décadas de dedicação da jurista à causa dos direitos humanos e descreveu-a como uma voz independente e firme da justiça. O líder da ONU sublinhou que o trabalho de Pillay demonstra que a força do direito deve sempre prevalecer sobre a lei da força, servindo como uma salvaguarda essencial contra a injustiça global.




