O Burkina Faso inaugurou a sua primeira refinaria de ouro, enquanto o governo procura uma maior soberania económica. “A partir de agora, o ouro do Burkina Faso não só deve ser extraído no Burkina Faso, como também deve ser processado, controlado, avaliado e certificado no Burkina Faso”, disse o Presidente Ibrahim Traoré na inauguração da refinaria, conhecida como Raffinor-BF.
Em toda a África Ocidental, os governos estão a tomar medidas para recuperar o controlo sobre os seus recursos naturais, reescrevendo os códigos mineiros, proibindo as exportações de produtos brutos e aumentando a participação do governo. A República da Guiné e o Ghana restringiram recentemente as exportações de ouro. O Mali anunciou a construção de uma refinaria de ouro em parceria com uma empresa russa, e a Côte d’Ivoire anunciou que vai abrir uma no próximo ano.
O Burkina Faso é um dos principais exportadores de ouro da região, mas o sector tem sido afectado pelo terrorismo. Sob o governo de Traoré, o Burkina Faso apresentou os recursos naturais como uma questão de soberania. A refinaria faz parte da campanha do governo para reduzir a sua dependência dos Estados e das empresas estrangeiras, em particular do Ocidente, e para processar os recursos naturais internamente, em vez de exportar produtos em bruto.
Construída em cinco hectares na capital Ouagadougou, a refinaria tem capaci- dade para processar 164 toneladas de ouro por ano, se- gundo a presidência, com uma meta de 515 toneladas. O Burkina Faso produziu 94 toneladas de ouro no ano passado, segundo as autoridades. A Raffinor-BF custou mais de 11 mil milhões de francos CFA (19 milhões de dólares) e foi financiada pelo governo, incluindo através da Companhia Nacional de Metais Preciosos, conhecida como SONASP, e pelo sector privado.
O Burkina Faso anunciou recentemente o lançamento de transportes públicos e serviços de saúde gratuitos para apoiar os familiares daqueles que morreram ou ficaram feridos em defesa da nação.




