Bruxelas - O ministro dos Negócios Estrangeiros de Cabo Verde considerou hoje"justa e meritória" a atribuição do prémio Nobel da Paz a Navi Pillay e destacou seu trabalho em prol do respeito entre etnias.
Bruxelas - O ministro dos Negócios Estrangeiros de Cabo Verde considerou hoje"justa e meritória" a atribuição do prémio Nobel da Paz a Navi Pillay e destacou seu trabalho em prol do respeito entre etnias.
“É uma decisão justa, meritória, que já devia ter acontecido há uns tempos, mas ela acontece hoje.
O momento certo talvez seja este, tendo em conta o que conhecemos do passado da África do Sul”, afirmou Manuel Amante da Rosa em declarações aos jornalistas em Bruxelas, no final de uma reunião de alto nível entre a União Europeia (UE) e Cabo Verde.
“Hoje há uma tentativa muito séria de diálogo, de respeito pelas etnias, de respeito pela religião", acrescentou.
O chefe da diplomacia cabo-verdiana insistiu que "é mais do que justo esse prémio que é dado à senhora advogada da África do Sul".
"Esperemos que outros prémios possam vir a ser dados futuramente em tudo o que diga respeito ao direito humanitário, em prol da elevação da condição da vida humana neste planeta em que estamos", afirmou.
O Prémio Nobel da Paz 2026 foi atribuído à jurista e ex-presidente do Tribunal Penal Internacional para o Rwanda Navi Pillay, anunciou hoje o Comité Nobel norueguês.
A sul-africana Pillay, de 85 anos, foi reconhecida pelos seus esforços na promoção da paz e do direito internacional, indicou o presidente do Comité Norueguês do Nobel, Jorgen Watne Frydnes.
Navi Pillay foi alta-comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos entre 2008 e 2014 e, mais recentemente, liderou uma comissão da ONU que investigou violações de direitos humanos em Israel e nos territórios palestinianos.
Esta comissão acusou Israel de cometer genocídio na Faixa de Gaza.
"Num momento em que o número de guerras e conflitos está a aumentar e em que os juízes e as instituições de direito internacional estão sob ataque político, o Comité Nobel deseja lembrar que a capacidade de resolver conflitos sem força ou violência depende do Estado de Direito internacional", disse o presidente do comité no anúncio do prémio.
A atribuição do prémio Nobel da Paz a Navi Pillay surge também numa altura em que se assiste a uma onda de xenofobia na África do Sul contra migrantes africanos, que já levaram à repatriação de cerca de 180 mil cidadãos do Zimbabwe, Malawi, Ghana, Moçambique, Nigéria, Quénia, Uganda, Tanzânia e República Democrática do Congo (RDC) para os seus países de origem nos últimos meses.
As tensões xenófobas são um problema recorrente na África do Sul e têm levado a surtos de violência em diversas ocasiões nos últimos anos, resultando em dezenas de mortes, principalmente nos bairros mais vulneráveis. AM




