Maputo - O chefe da mobilização da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) criticou hoje a contestação à liderança de Ossufo Momade, e defendeu que é tempo de os membros respeitarem as estruturas e símbolos do partido, quando se aproxima a realização do Conselho Nacional.
Maputo - O chefe da mobilização da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) criticou hoje a contestação à liderança de Ossufo Momade, e defendeu que é tempo de os membros respeitarem as estruturas e símbolos do partido, quando se aproxima a realização do Conselho Nacional.
"Estamos aqui para reafirmar que a Renamo de André Matsangaíssa, de Afonso Dhlakama e de Ossufo Momade está firme. Este é o momento de nos unirmos, abraçarmo-nos e respeitarmos a estrutura e os símbolos do partido", disse Geraldo Carvalho.
O dirigente falava em Lichinga, capital da província do Niassa, norte de Moçambique, onde realiza uma visita de trabalho que inclui encontros com estruturas e lideranças partidárias a nível distrital, além da realização de comícios.
Na ocasião, Carvalho criticou a autoproclamada comissão de gestão da Renamo, formada por antigos guerrilheiros que têm ocupado sedes do partido, afirmando que este não é o momento de "rasgar capulanas [tecido identitário] e panfletos" da formação política.
"Este é o momento de parar e juntar-se ao partido, obedecer às normas do partido, porque é a Renamo que vai reunir", afirmou.
Em 28 de Agosto, a Renamo anunciou a realização do Conselho Nacional em 21 e 22 de Outubro, em Maputo, para analisar a situação nacional e interna do partido, cuja liderança de Ossufo Momade é fortemente contestada.
Já na quarta-feira, os ex-guerrilheiros da Renamo que contestam a liderança de Momade voltaram a prometer acções para "resgatar" o partido, alertando que a convocação do Conselho Nacional constitui uma estratégia do actual líder para se manter no cargo.
Nesse sentido, anunciaram a realização da segunda reunião de coordenação da autoproclamada comissão nacional de gestão do partido, marcada para este fim-de-semana, reiterando que a convocação do Conselho Nacional visa evitar a saída de Ossufo Momade da liderança.
A realização do Conselho Nacional tem sido uma das principais reivindicações dos críticos internos de Ossufo Momade, entre os quais o histórico dirigente e ex-deputado António Muchanga.
Também antigos guerrilheiros têm exigido a saída de Momade da liderança da Renamo, tendo ocupado sedes do partido em várias províncias em sinal de protesto.
O Conselho Nacional chegou a estar convocado para Março, mas acabou por não se realizar. Em alternativa, a Renamo promoveu uma reunião de generais e oficiais superiores em Chimoio, na província de Manica, nos dias 27 e 28 de Março.
Nessa altura, o partido anunciou que o Conselho Nacional teria lugar ainda durante o primeiro semestre deste ano, o que não aconteceu, acrescentando que Ossufo Momade poderia abandonar a liderança da formação política ainda em 2026.
Há vários meses que ex-guerrilheiros da Renamo pedem a demissão de Ossufo Momade da liderança, para a qual foi reeleito em Maio de 2024, acusando-o de "má gestão", falta de pagamento de pensões e subsídios e de "incompetência total" perante a crise interna do partido.
Em Janeiro, Momade afirmou que as crises internas sempre marcaram a história da Renamo, mas sustentou que o partido nunca deixou de funcionar, apesar das divergências internas.
Ossufo Momade sucedeu, em 2018, a Afonso Dhlakama na presidência da Renamo, após a morte do histórico líder do partido.
Momade, de 64 anos, foi candidato presidencial nas eleições gerais de Outubro de 2024, nas quais obteve 6% dos votos, o pior resultado de sempre de um candidato apoiado pela Renamo.
O partido perdeu igualmente nessas eleições o estatuto de principal força da oposição. AM




