Beijing - A China anunciou, hoje, o início de uma investigação 'antidumping' sobre as importações de p-nitrotolueno originárias da União Europeia (UE), num momento de crescentes atritos comerciais entre Beijing e Bruxelas.
Beijing - A China anunciou, hoje, o início de uma investigação 'antidumping' sobre as importações de p-nitrotolueno originárias da União Europeia (UE), num momento de crescentes atritos comerciais entre Beijing e Bruxelas.
A abertura da investigação é anunciada a poucos dias da visita prevista à capital chinesa do comissário europeu para o Comércio, Maros Sefcovic, segundo a Lusa.
O Ministério do Comércio chinês indicou, em comunicado, que a investigação surge na sequência de um pedido apresentado em Setembro por empresas locais.
O p-nitrotolueno, também conhecido como 4-nitrotolueno, é um composto químico utilizado na produção de p-toluidina, ácido DSD, ácido p-aminobenzoico e outros derivados usados em sectores como os corantes, os pigmentos, os pesticidas e a medicina, de acordo com o ministério.
Uma investigação 'antidumping' visa apurar se um produto está a ser exportado a preços inferiores ao valor normal e se isso prejudica a indústria do país importador.
A investigação vai centrar-se nas importações originárias da UE e tem como período de análise o intervalo compreendido entre 1 de Julho de 2025 e 30 de Junho de 2026, enquanto a análise dos danos causados à indústria chinesa abrange o período entre 1 de Janeiro de 2022 e 30 de Junho de 2026.
O Ministério do Comércio indicou que a investigação teve início hoje e que, em princípio, deverá estar concluída antes de 3 de Outubro de 2027, embora possa ser prorrogada por seis meses em "circunstâncias especiais".
Um porta-voz do ministério afirmou que as provas preliminares apresentadas pelos requerentes indicam que, entre 2022 e 2025, as importações provenientes da UE se mantiveram em níveis elevados e os preços baixaram, no total, 60%, o que, segundo o pedido, "causou prejuízo" à indústria chinesa.
O ministério acrescentou que vai analisar o caso de acordo com a legislação chinesa e as normas da Organização Mundial do Comércio (OMC), além de garantir os direitos das partes interessadas. Será emitida uma decisão "objectiva e imparcial".
Beijing sublinhou ainda que mantém uma posição "prudente e contida" em matéria de defesa comercial, mas acusou a UE de ter aberto, desde 2025, mais de 28 inquéritos comerciais contra produtos chineses, cerca de metade dos quais relativos a produtos químicos.
O ministério citou, em particular, três investigações recentes de Bruxelas contra o PVC e outros produtos químicos chineses, e apelou à UE para que "enfrente os próprios problemas económicos" e resolva as divergências através do diálogo.
A abertura das investigações ocorre antes da reunião prevista entre Sefcovic e o ministro chinês do Comércio, Wang Wentao, em Beijing, nos dias 8 e 9 de Outubro, no âmbito do mecanismo de consultas com o qual Bruxelas diz procurar reequilibrar a relação comercial bilateral. OHA




