Cidade João Pessoa lança projeto nacional da CONNEGRO por Justiça Climática e contra o Racismo Ambiental

Rio de Janeiro — No Dia Nacional do Meio Ambiente, a cidade de João Pessoa foi palco do lançamento oficial do projeto nacional da CONNEGRO – Coletivo Nacional de Organização Negra, iniciativa que marca o início de uma mobilização inédita em torno da justiça climática e do combate ao racismo ambiental no Brasil.
O projeto, que também terá Salvador como cidade-referência, reconhece a urgência de racializar o debate climático, incorporando as desigualdades históricas e estruturais que atingem principalmente a população negra. Ambas as cidades compartilham características de vulnerabilidade socioambiental, como topografia sensível, exclusão territorial e desigualdade no acesso a serviços básicos.
O evento contou com a presença de autoridades municipais, especialistas em meio ambiente e questões raciais, representantes do Tribunal de Justiça da Paraíba, além de lideranças nacionais e internacionais vindas de países africanos, Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro.
Durante o encontro, a CONNEGRO deu início a uma série de escutas temáticas, com diálogos planejados para percorrer diferentes territórios urbanos e rurais do país. A proposta é envolver a sociedade civil, a academia, comunidades quilombolas, povos de terreiro, juventudes periféricas e guardiões de saberes tradicionais, construindo coletivamente uma agenda estratégica e racializada frente à emergência climática.
As contribuições recolhidas ao longo desse processo serão sistematizadas na Carta de Salvador, um documento político de afirmação e denúncia que será apresentado durante o Simpósio Internacional sobre Justiça Climática e Racismo Ambiental, previsto para novembro de 2025, em Salvador, como parte das ações preparatórias para a COP30.
Segundo a CONNEGRO, a iniciativa é mais que um projeto: trata-se de uma convocação à ação. “Sem justiça racial, não há justiça climática”, reafirmou o coletivo. E como ecoou durante o lançamento: “o povo negro está de pé, de punho erguido e com os olhos bem abertos.”
O projeto se propõe a reposicionar a população negra como protagonista na formulação de políticas públicas ambientais, exigindo reparações históricas e medidas estruturantes que considerem suas vivências e conhecimentos tradicionais como parte essencial das soluções para a crise climática global.



