Abuja - Mais de 50 líderes muçulmanos e cristãos assinaram hoje, em Abuja, um acordo de paz inter-religioso destinado a promover a harmonia religiosa e a cooperação entre as diferentes comunidades na Nigéria.
Abuja - Mais de 50 líderes muçulmanos e cristãos assinaram hoje, em Abuja, um acordo de paz inter-religioso destinado a promover a harmonia religiosa e a cooperação entre as diferentes comunidades na Nigéria.
O acordo prevê igualmente a criação de uma nova estrutura para promover a convivência pacífica entre os seguidores das duas principais religiões do país, cuja população, superior a 200 milhões de habitantes, está aproximadamente dividida entre um norte predominantemente muçulmano e um sul maioritariamente cristão, reporta a Reuters.
A iniciativa surge meses depois de o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter classificado a Nigéria como um "país desonrado" e ameaçado recorrer à força militar, em Novembro de 2025, alegando a existência de perseguições contra cristãos por grupos que designou como "terroristas islâmicos".
O acordo foi assinado durante uma conferência sobre diversidade e paz social, organizada pela Liga Muçulmana Mundial, uma organização não-governamental islâmica com sede na Arábia Saudita.
O secretário-geral da Liga Muçulmana Mundial, Mohammad Al-Issa, destacou o empenho demonstrado por representantes das duas religiões em "virar uma nova página".
"Não negamos que as ideias extremistas tenham prejudicado todos. Todos foram afectados por elas", afirmou.
Líderes cristãos e muçulmanos nigerianos consideraram o pacto um ponto de viragem e defenderam o fim do discurso de ódio e da retórica divisiva entre comunidades religiosas.
John Praise Daniel, presidente da Assembleia dos Líderes Religiosos Cristãos do Norte, apelou aos clérigos para evitarem discursos de ódio, desrespeito por outras religiões e acusações de "infidelidade".
Por sua vez, o secretário-geral da Jama'atu Nasri Islam, Khalid Abubakar, sublinhou que o acordo não implica o abandono de qualquer religião, mas sim a cooperação entre as diferentes comunidades.
O vice-presidente do Senado, Barau Jibrin, representou o Presidente Bola Tinubu na cerimónia, que contou igualmente com a presença de três governadores de Estados do norte.
Jibrin afirmou que o Governo está determinado a preservar a unidade nacional, apesar das diferenças existentes entre os cidadãos.
O acordo foi firmado a poucos meses das eleições presidenciais de Janeiro de 2027, numa altura em que a religião deverá continuar a desempenhar um papel importante na política nigeriana.
O partido governante, Congresso de Todos os Progressistas (APC), mantém para o próximo pleito uma fórmula presidencial composta por dois muçulmanos, à semelhança das eleições de 2023, rompendo com a tradição de equilibrar as candidaturas presidenciais entre as duas principais religiões do país.
Grupos insurgentes, como o Boko Haram e o Estado Islâmico da África Ocidental (ISWAP), actuam na Nigéria há mais de 15 anos e provocaram milhares de mortes, sobretudo no nordeste do país, região de maioria muçulmana.
Embora cristãos também estejam entre as vítimas dos ataques, analistas e organizações de defesa dos direitos humanos afirmam que a maioria dos mortos é muçulmana. CV




