A coligação que apresenta Lula da Silva como candidato à reeleição como Presidente do Brasil revelou, domingo, o seu programa eleitoral, definindo como prioridades a defesa da soberania e da democracia, a modernização do Estado e a segurança.
O combate às desigualdades, sejam regionais, sociais, raciais ou de género, a defesa da vida das mulheres e continuar a fortalecer a economia, para ampliar investimentos em educação, saúde e infra-estruturas são também prioridades no programa estruturado em 13 eixos. A coligação é formada por sete partidos e liderada pelo Partido Trabalhista (PT), de Luiz Inácio Lula da Silva, que repete a dupla com o vice-presidente, Geraldo Alckmin, na candidatura às eleições que se realizam em Outubro. No documento, de 84 páginas, o tema da política externa ganha também destaque, e sem citar a crise diplomática com os Estados Unidos, diz que o Brasil deve reafirmar a sua "soberania e preservar a sua capacidade de fazer escolhas políticas e económicas de forma independente" de acordo com os seus interesses e "sem qualquer tipo de subordinação estratégica". Nesse contexto, a coligação quer aprofundar a aproximação geopolítica com o grupo BRICS (de que o Brasil é fundador, juntamente com Rússia, Índia, China e África do Sul e que, entretanto, se alargou a 11 membros) e com o sul global. Nas directrizes programáticas, surge em primeiro lugar "fortalecer a Democracia, a participação social e modernizar o Estado", lembrando que o actual mandato de Lula da Silva começou com um ataque aos símbolos do poder, em Brasília. No eixo do combate às desigualdades, o programa defende "justiça tributária e fortalecimento do Estado" fazendo um longo relato do que considera terem sido êxitos deste mandato. Referindo a "recuperação do papel do Brasil no mundo", no documento refere-se que a economia brasileira "passou a crescer em torno de 3 por cento ao ano, retomando o seu posto entre as 10 maiores economias do mundo. De acordo com o FMI, o Brasil terá crescimento no período 2023-2026 acima da média da América Latina". A coligação liderada pelo partido de Lula diz que quer continuar a "aperfeiçoar e ampliar as políticas de protecção social para quem mais necessita", depois de ter voltado ao governo "em 2023 para reconstruir o Estado, retomar políticas públicas, recuperar o crescimento económico, reduzir desigualdades, recompor o protagonismo internacional e reconstruir a presença do Brasil no mundo". "Proteger a vida com uma segurança pública mais eficiente e integrada" é outra das promessas, assegurando "a presença do Estado onde a violência e o crime organizado tentam impor o medo e controlar territórios". Nos 13 eixos definidos, cabem ainda "fortalecer a saúde", nomeadamente, com mais programas de vacinação e protecção da saúde da mulher, e ainda ampliar o acesso à cultura e ao desporto. Críticas a Marco RubioO Presidente do Brasil, Lula da Silva, criticou o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, pelo agravamento do conflito comercial entre os dois países, durante uma apresentação sobre a desflorestação na Amazónia. Apesar das últimas tensões com os Estados Unidos, Lula separou no seu discurso a figura do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, indicando que a relação com o seu homólogo norte-americano é de "muito respeito". Lula citou uma conversa recente com Trump na qual alegadamente insistiu que, como presidentes das duas maiores democracias do continente, devem "transmitir ao mundo uma certa harmonia" em vez de se basearem em "desinformações". O Presidente brasileiro escolheu, por outro lado, apontar as suas críticas ao Departamento de Estado e ao secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, descrevendo-o como um "bolsonarista" que "não gosta do Brasil e da América Latina". Segundo o líder brasileiro, Rubio é "um anti latino-americano, ou um latino-americano frustrado" que "faz as coisas de forma diferente" das acordadas com Trump, além de considerar que Rubio "odeia Cuba, odeia a Colômbia e odeia o Brasil" por ser "descendente de cubanos de Miami". Durante um evento no qual o Governo brasileiro celebrou uma redução de 37 por cento nos alertas de desflorestação na Amazónia para o período 2025-2026, o chefe de Estado afirmou que o argumento usado pelos Estados Unidos para as tarifas impostas ao Brasil "não é verdadeiro" e que duvida que exista "no mundo" um país que leve a questão climática mais a sério do que o Brasil. "Ninguém, nem os Estados Unidos, leva a sério a questão climática como o Brasil. Ninguém. Já vi Trump na ONU a dizer que não acredita na questão climática e que é tudo mentira", expressou Lula.




