Pyongyang - O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros da Coreia do Norte, Kim Son Gyong, alertou na Assembleia Geral da ONU para a "instabilidade extrema" na Península Coreana, pela qual responsabilizou a crescentemente "agressiva" aliança militar entre os Estados Unidos, Japão e a Coreia do Sul.
Pyongyang - O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros da Coreia do Norte, Kim Son Gyong, alertou na Assembleia Geral da ONU para a "instabilidade extrema" na Península Coreana, pela qual responsabilizou a crescentemente "agressiva" aliança militar entre os Estados Unidos, Japão e a Coreia do Sul.
"A Península Coreana e o seu entorno enfrentam uma instabilidade extrema e uma tensão ainda mais aguda - a um nível superior ao do ano passado - devido à persistente hostilidade em relação à República Popular Democrática da Coreia (RPDC) e ao crescente desafio militar por parte dos Estados Unidos e dos seus seguidores", afirmou Kim Son Gyong, citado pela Reuters.
O responsável acusou o Governo de Donald Trump de transformar a aliança militar com o Japão e a Coreia do Sul num "bloco militar mais ofensivo e agressivo, que incorpora uma dimensão nuclear" contra Pyongyang.
"Os Estados Unidos conspiram com os seus aliados para modificar e actualizar sistematicamente os cenários de guerra nuclear contra a RPDC, bem como para aperfeiçoar a sua capacidade operacional através de exercícios militares provocatórios e da contínua deslocação de forças militares", alegou, referindo-se às manobras militares conjuntas de Washington, Seul e Tóquio em águas próximas da Península Coreana.
Criticou ainda o Governo norte-americano por "nem se dar ao trabalho de ocultar a sua perigosa tentativa de confronto militar" contra a Coreia do Norte, bem como a "escalada militar" na região, considerando que isso alimenta a "ambição" da Coreia do Sul de possuir submarinos de propulsão nuclear enquanto mobiliza equipamento militar.
Pyongyang tornou-se um dos parceiros militares mais próximos da Rússia desde que o líder norte-coreano, Kim Jong-un, apoiou a invasão russa da Ucrânia em Fevereiro de 2022, culpando a "política hegemónica" dos Estados Unidos e dos países ocidentais.
Em Junho de 2024, Putin deslocou-se a Pyongyang - a sua primeira visita à Coreia do Norte em quase um quarto de século - e assinou com Kim o Tratado de Parceria Estratégica Abrangente, formalizando uma aliança militar entre dois Estados nucleares.
O tratado inclui disposições de assistência militar mútua, violando directamente as sanções do Conselho de Segurança da ONU relativamente a Pyongyang.
Nos dois anos seguintes ao pacto, tropas norte-coreanas combateram ao lado das forças russas na guerra contra a Ucrânia, e mísseis e munições de artilharia fabricados por Pyongyang chegaram à frente de batalha para alimentar a máquina de guerra russa.
No início de 2026, serviços de informações sul-coreanos estimaram que cerca de seis mil soldados norte-coreanos, mais de um terço dos destacados em território russo, tinham morrido ou ficado feridos nos combates.
A Rússia começou a usar mísseis balísticos de curto alcance KN-23 norte-coreanos contra a Ucrânia no final de 2023, tendo desde então ajudado a melhorar a sobrevivência e precisão do sistema.
Ao abrigo do tratado de Junho de 2024, mais de 30 mil trabalhadores norte-coreanos estão actualmente destacados na Rússia.
Em contrapartida pelo apoio militar e civil prestado, um veto russo em 2024 no Conselho de Segurança - com a China a abster-se - acabou efectivamente com o principal mecanismo multilateral de aplicação das sanções à Coreia do Norte, o painel de peritos da ONU. MCN




