O Ministério do Interior do Egipto anunciou a detenção de seis funcionários de uma plataforma de verificação de factos, acusando-os de operarem sem licença e de terem ligações ao grupo Irmandade Muçulmana, banido no país.
Os grupos de defesa dos direitos humanos alertaram para uma escalada nos ataques à liberdade de imprensa. A plataforma afirmou que o paradeiro dos jornalistas é desconhecido. Nenhuma acusação formal foi apresentada contra eles.
O departamento ministerial declarou ter “detectado uma página online sem licença chamada Matsadaash, gerida a partir do estrangeiro, que dissemina desinformação e distorce factos”, acrescentando que “seis membros” da plataforma foram detidos. O ministério acusou ainda a página de ter ligações com “os comités de comunicação social da Irmandade Muçulmana, um grupo terrorista”, sem apresentar provas.
A Matsadaash negou qualquer ligação a partidos ou grupos políticos, citando publicações nas quais desmentiu informações falsas divulgadas por grupos pró-Irmandade Muçulmana. "Desde a sua fundação, a Matsadaash mantém o seu compromisso com uma abordagem profissional baseada na verificação de factos e na correcção de notícias e declarações enganosas, independentemente da sua origem", acrescentou em comunicado.
Lobna Darwish, chefe de defesa da Iniciativa Egípcia para os Direitos da Pessoa, descreveu o ambiente actual no Egipto como “inseguro” para os jornalistas, acusando as autoridades de uma “escalada nos ataques ao trabalho jornalístico” no país.
“Em 24 horas, seis jornalistas egípcios foram detidos. É inédito que toda a equipa editorial de uma plataforma noticiosa seja detida”, disse Darwish à AFP.




