Pelo menos 52 civis morreram durante três dias de intensos combates na região de Tigray, no norte da Etiópia, numa nova escalada de violência que envolve forças do Governo Federal e combatentes ligados à Frente de Libertação do Povo de Tigray (TPLF).
Fontes hospitalares citadas pela BBC indicam que os confrontos ocorreram entre sábado e segunda-feira, nas proximidades da cidade de Alamata. Um médico do Hospital Geral de Alamata, que falou sob anonimato, relatou o uso de artilharia e explosivos pesados, com alguns projécteis a atingir zonas residenciais.
Entre as vítimas estão crianças, mães e criadores de gado. Segundo o mesmo médico, 12 pessoas morreram num único ataque contra o mercado de Alamata, aumentando a preocupação com o impacto dos combates sobre a população civil.
A escalada militar ocorre depois de meses de tensão entre o Governo Federal etíope e a TPLF. As duas partes acusam-se mutuamente de violar o acordo de paz de 2022, que pôs fim a uma guerra de dois anos na região de Tigray.
As forças governamentais terão assumido o controlo de Alamata e estarão a preparar um avanço em direcção a Mekelle, capital regional de Tigray. Imagens divulgadas nas redes sociais mostram tanques e veículos blindados nas ruas da cidade, embora as restrições de comunicação dificultem a verificação independente dos acontecimentos.
A violência também se estendeu a zonas vizinhas, incluindo Amhara e Afar. Em Lalibela, na região de Amhara, dezenas de turistas permanecem retidos devido aos confrontos e às restrições de circulação. Há ainda receios de que o conflito possa envolver outros actores regionais, incluindo a Eritreia.
A situação humanitária agrava-se com o aumento do número de feridos. A organização Médicos Sem Fronteiras informou que mais de 700 pessoas feridas nos combates foram recebidas nos hospitais que apoia em Tigray nos últimos dias.
Os serviços de telecomunicações e internet encontram-se igualmente afectados em várias zonas de Tigray, dificultando a comunicação com as áreas atingidas e a confirmação independente do número de vítimas e das circunstâncias de cada ataque.
A nova escalada coloca novamente sob pressão o acordo de paz de 2022 e aumenta os receios de um prolongamento do conflito, numa região que ainda enfrenta as consequências humanitárias da guerra anterior. A ONU e organizações humanitárias têm apelado à redução das hostilidades e à protecção da população civil.




