O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou publicamente que é momento de a Ucrânia eleger um novo líder capaz de alcançar um acordo de paz para encerrar a guerra com a Rússia. Durante declarações à imprensa na Casa Branca, o chefe de Estado norte-americano criticou duramente o seu homólogo ucraniano, Volodymyr Zelensky, e condenou os recentes ataques perpetrados por Kiev contra refinarias de combustível russas.
De acordo com Donald Trump, as acções ucranianas contra as infra-estruturas petrolíferas russas apenas agravam a crise e a escassez mundial de gasóleo. O governante norte-americano exortou o líder ucraniano a interromper estes ataques, citando o controverso acordo firmado entre Washington e Moscovo para a compra em grande escala de combustível russo, numa tentativa de aliviar a pressão dos preços sobre os consumidores norte-americanos.
O entendimento estabelece que a Rússia entregue 300.000 toneladas de gasóleo a partir de Outubro aos Estados Unidos e ao mercado global, prevendo-se um aumento gradual do volume para até 1 milhão de toneladas em Dezembro. Trump revelou ainda que, em conversa telefónica recente, o Presidente russo, Vladimir Putin, manifestou um forte desejo de chegar a um acordo, acusando Zelensky de se recusar a negociar a paz.
Reacções em Kiev e solidariedade internacional
As posições assumidas pelo Presidente norte-americano suscitaram fortes reacções do lado ucraniano e dos seus aliados. O ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Andriy Sybiga, reiterou que Volodymyr Zelensky conta com o apoio do povo ucraniano e merece continuar a ser apoiado pela comunidade internacional. Em Inglaterra, o primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, manteve um contacto telefónico com Zelensky para transmitir a sua total solidariedade.
Por outro lado, o principal negociador económico do Kremlin, Kirill Dmitriev, considerou históricas as declarações de Trump sobre o fim do apoio à liderança ucraniana. A presidência russa confirmou igualmente que Putin acolheu com compreensão as propostas de desescalada apresentadas por Washington durante o diálogo telefónico.
Denúncias de Kiev e baixas civis em Zaporizhzhya
Antes das declarações de Donald Trump, o Presidente Volodymyr Zelensky já tinha denunciado o acordo de exportação de combustível entre os Estados Unidos e a Rússia, classificando-o como uma decisão fraca que permite a Moscovo reabastecer recursos financeiros para continuar a financiar a guerra. O líder ucraniano condenou também uma nova vaga de ataques russos que provocaram a morte de 21 pessoas, das quais 20 na região de Zaporizhzhya, acusando Moscovo de responder ao levantamento de sanções com o bombardeamento de edifícios residenciais.




