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Apesar deste caso ter sido detectado num indivíduo que esteve recentemente na República Democrática do Congo (RDC), o Quénia vive este problema desde o início com violentos protestos devido aos EUA terem ali criado um centro de quarentena para os seus cidadãos.
Mas, agora, as autoridades de Nairobi estão com um problema mais sério em mãos porque o primeiro caso apareceu confirmado, o que obrigou a um cerco apertado aos indivíduos que com ele se cruzaram desde que saiu da RDC, incluindo passageiros e tripulação do voo em que chegou à capital queniana.
Esteb indivíduo, a primeira vítima mortal registada no Quénia oficialmente, morreu no Hospital Central de Nairobi, embora o seu percurso desde a RDC deixe um rasto de preocupação generalizado.
Isto, porque este homem, depois de ter vivido sete anos na RDC, foi tratado em vários hospitais antes de seguir por terra para Kampala, no Uganda, onde, já com sinais da doença, embarcou num voo de uma companhia low cost para Nairobi, a 03 de Outubro.
Para piorar a situação, antes de dar entrada no Hospital de Nairobi e isolado de imediato, este indivíduo esteve a ser visto no Aeroporto Jomo Kenyatta, de onde foi levado por dois conhecidos, deixando uma longa lista de pessoas que estão agora a ser procuradas para evitar o alastramento da infecção.
O Ébola, sendo o vírus que gera a febre hemorrágica mais severa e letal conhecida, está, com este caso, a gerar novos receios de que a doença se espalhe pelo continente, depois de já ter sido responsável por mais de 4 mil mortos na RDC, em 8 mil casos registados, além de dezenas de casos ocorridos no Uganda antes do surto ter sido debelado em Junho/Julho deste ano.
Segundo o ministro da Saúde do Quénia, Aden Duale, dois laboratórios confirmaram que o homem estava infectado pela estirpe Bundibugyo do vírus do Ébola, o mesmo que é responsável pela epidemia na RDC e para o qual não existe nem tratamento nem vacina.
Ao abrigo do protocolo usado nestes casos, as autoridades quenianas iniciaram a busca pelos eventuais contactos, tendo já chegado a cerca de 30, estando ainda em curso a procura de pelo menos 20, entre conhecidos, passageiros e tripulação do voo de Kampala e contactos já no aeroporto de Nairobi.
Recorde-se (ver links em baixo) que a RDC deu o alerta para o surto de Ébola que veio a confirmar-se como a 17ª epidemia desta infacção no país, desde que foi descoberto o vírus em humanos, em 1976, também na RDC, a 15 de Maio.
Porém, alguns investigadores ao serviço da Organização Mundial de Saúde (OMS) encontraram provas de que o vírus já circulava no leste do Congo em Janeiro deste ano, o que prolongou em muito a geografia exigida para aplicar as medidas de controlo, embora oficialmente a data inicial se mantenha 15 de Maio.
Até ao momento morreram 4.082 pessoas, com 8.442 casos confirmados de infecção, segundo dados referentes a 02 de Outubro divulgados pela OMS e pelo Ministério da Saúde da RDC.
Esta epidemia está a ser particularmente difícil de debelar devido á inexistência de vacinas ou tratamento conhecidos, além de estarem a ocorrer problemas sérios devido ao crendismo local que leva as vítimas com sintomas a fugir dos serviços oficiais de saúde directamente para as mãos de feiticeiros e médicos tradicionais, o que ajuda sobremaneira a espalhar a infecção.




