Paris - O antigo primeiro-ministro francês, Édouard Philippe, candidato às presidenciais do próximo ano, manifestou-se hoje a favor da criação de centros de detenção para migrantes fora da Europa e contra as regularizações em massa.
Paris - O antigo primeiro-ministro francês, Édouard Philippe, candidato às presidenciais do próximo ano, manifestou-se hoje a favor da criação de centros de detenção para migrantes fora da Europa e contra as regularizações em massa.
"Precisamos criar, o mais rápido possível, um novo regulamento europeu sobre os retornos. Isto vai permitir-nos reforçar os procedimentos de deportação e criar centros de retorno em países terceiros", afirmou o político de centro-direita num artigo de opinião publicado hoje no jornal Le Figaro.
Numa mensagem directa, o antigo chefe de governo (2017-2020), agora afastado do Presidente de França, Emmanuel Macron, propôs um endurecimento da política de imigração.
"Serei o Presidente de uma França que controla o seu próprio destino, numa Europa que protege as suas fronteiras e exige respeito", afirmou o antigo responsável.
Philippe acredita que a crise de entradas ilegais em Ceuta exige uma resposta europeia, que deve reforçar as suas políticas para "escolher quem entra no território para trabalhar, estudar ou pedir asilo legitimamente".
Entre as "duas abordagens demagógicas" que "negam o problema em nome do politicamente coreto" ou "procuram retomar o controlo através do isolamento", o ex-primeiro-ministro defendeu "o controlo e a firmeza para fazer cumprir as leis francesas e as normas europeias".
Além dos centros de detenção em países terceiros, Philippe propõe acordos com os países de trânsito, que, segundo Philippe, "estão a produzir resultados" em alguns casos, como a Tunísia e a Líbia, mas exige uma postura mais firme com a Argélia, defendendo o fim do acordo de 1968 entre os dois países.
"Vamos utilizar todos os instrumentos nacionais e europeus para defender os nossos interesses e as nossas fronteiras", declarou.
Sem mencionar especificamente Espanha, o candidato argumentou que "já não é razoável que um país inicie um processo de regularização em massa para pessoas que entraram ou estão actualmente na Europa de forma irregular sem consultar os seus parceiros".
"Qualquer operação de regularização em massa deve estar sujeita a um acordo prévio ao nível do Espaço Schengen. Uma fronteira comum implica regras comuns e responsabilidades comuns", afirmou.
Philippe defende a suspensão da aceitação de pedidos de asilo em zonas sob pressão excessiva, como alguns territórios ultramarinos franceses.
"Os Estados europeus devem partilhar uma doutrina comum relativamente aos países de origem, uma lista única de países seguros, harmonizar as suas políticas e partilhar os processos de acolhimento", indicou. CQ/AM




