O ex-presidente guineense Umaro Sissoco Embaló pediu sábado serenidade aos seus apoiantes e negou ter criado no corpo da guarda presidencial "forças especiais de defesa e segurança" para actuarem contra a população do país.
O ex-presidente guineense Umaro Sissoco Embaló pediu sábado serenidade aos seus apoiantes e negou ter criado no corpo da guarda presidencial "forças especiais de defesa e segurança" para actuarem contra a população do país.
Numa publicação nas suas redes sociais, citada pelo portal Notícias ao Minuto, Sissoco Embaló escreveu que tomou nota e "acompanha paulatinamente" o desenrolar dos acontecimentos políticos e sociais no país, depois de na terça-feira as forças armadas guineenses terem desmobilizado e transferiram para outros aquartelamentos elementos da guarda presidencial, também designados de "força anti-golpe", criada por Sissoco Embaló.
Duas coligações da oposição a Embaló congratularam sábado o Alto Comando Militar, no poder na Guiné-Bissau, pela decisão de "desmantelamento das milícias", considerando que sempre defenderam que actuavam fora do controle do Estado-Maior General das Forças, alegadamente cometendo acções contrárias à lei, nomeadamente raptos e espancamentos de cidadãos.
"Em nenhuma circunstância criámos as Forças Especiais de Defesa e Segurança para se voltarem contra o nosso povo ou contra a sociedade guineense. A sua existência era orientada para a protecção do Estado, da população e da ordem constitucional, numa perspectiva de prevenção, segurança e defesa do bem-estar colectivo", escreveu Embaló.
O ex-presidente guineense, deposto por um golpe militar a 26 de Novembro passado, considera ainda que "algumas mensagens e narrativas podem contribuir para aumentar as tensões" no país.
Umaro Sissoco Embaló apelou ao "sentido de responsabilidade, à moderação e ao respeito mútuo", sublinhando que optou pela serenidade "para evitar a instabilidade e a divisão social", mesmo após ter sido afastado das suas funções e "transformado em parte do problema".
Embaló manifestou preocupação face a "eventuais tentativas" de apagar o legado do seu mandato e de atingir pessoas próximas, reiterando que aceita o "julgamento da História" pelas suas escolhas.
O Chefe de Estado deposto exortou ainda os simpatizantes e militantes para que evitem qualquer acto que ponha em causa a paz e a tranquilidade, pedindo que deixem as novas autoridades exercerem as suas responsabilidades e permitam que o povo avalie a situação democraticamente.
Sissoco Embaló destacou que se mantém "tranquilo e focado" numa estratégia de união das bases políticas e preparação democrática para os próximos embates eleitorais, sublinhando que priorizará a paz, a unidade e o futuro da pátria.
Umaro Sissoco Embaló liderou a Guiné-Bissau de 27 de Fevereiro de 2020 a 26 de Novembro de 2026, quando foi derrubado por um golpe liderado pelo general Horta Inta-a, seu antigo chefe de segurança na Presidência da República.
A oposição considerou que se tratou de um "golpe cerimonial" por ocorrer em vésperas da divulgação dos resultados provisórios das eleições presidenciais que o bloco defende terem sido ganhas "à primeira volta" por Fernando Dias da Costa.
Desde o golpe, Sissoco Embaló tem vivido entre Marrocos e na República do Congo.
Na semana passada, anunciou, a partir do Congo, o regresso ao país este domingo para se preparar para as eleições presidenciais marcadas por Horta Inta-a para 06 de Dezembro próximo.
Na quinta-feira e através de um comunicado divulgado pela comunicação social, o Alto Comando Militar anunciou que "não estão reunidas as condições de segurança" para garantir o regresso do ex-presidente Umaro Sissoco Embaló. MCN




