O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, anunciou esta Segunda-feira, 5, a dissolução do Parlamento e a convocação de eleições legislativas antecipadas para 29 de novembro, cerca de oito meses antes do fim previsto da atual legislatura.
A decisão surge depois de o Parlamento ter rejeitado, na sexta-feira, dois decretos do Governo relacionados com medidas para enfrentar a crise da habitação, num contexto marcado por protestos de milhares de pessoas contra os despejos e as dificuldades de acesso à habitação.
Sánchez afirmou que pretende obter nas urnas uma maioria parlamentar mais ampla para avançar com reformas nas áreas das desigualdades sociais, serviços públicos e habitação. O chefe do Governo espanhol disse ainda que o país atravessa um momento internacional complexo, mas destacou o crescimento económico e a criação de emprego em Espanha.
A dissolução do Parlamento deverá ser formalizada através de um Conselho de Ministros extraordinário. Sánchez informou também o rei Felipe VI sobre a decisão.
Na votação de sexta-feira, o pacote de medidas para a habitação foi rejeitado por 178 deputados, com votos do Partido Popular, Vox, Juntos pela Catalunha e União pelo Povo Navarro. A proposta recebeu 172 votos favoráveis.
Entre as medidas previstas estavam limitações aos despejos, prolongamento de contratos de arrendamento, restrições à compra de habitações por fundos de investimento, benefícios fiscais e um limite de 2% na atualização anual das rendas.
A crise habitacional tem provocado mobilizações em várias cidades espanholas. Em Madrid, a manifestação de sábado reuniu, segundo as autoridades, cerca de 70 mil pessoas, enquanto os organizadores estimaram a participação em cerca de meio milhão.




