Os Estados Unidos da América manifestaram a sua abertura para dialogar com Havana sobre uma eventual transição política para uma nova liderança, o que poderá pôr fim ao embargo comercial imposto ao país caribenho desde 1959.
O Secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, afirmou na quarta-feira, em Nova Iorque, que Cuba tem uma “oportunidade de ouro” para trilhar um caminho irreversível rumo a um futuro melhor. Rubio assegurou que Washington está preparada para apoiar o processo, caso as autoridades cubanas se mostrem receptivas a reformas políticas.
De acordo com o chefe da diplomacia norte-americana, a administração de Washington está disposta a colaborar com líderes cubanos cujas mãos “não estejam manchadas de sangue”. Rubio salientou ainda que empresários e investidores dos EUA, incluindo a diáspora cubana, estão prontos para intervir e apoiar a reestruturação económica da ilha, desde que se registem progressos significativos nas reformas políticas.
Tensões na Assembleia Geral da ONU
A declaração surge na sequência do discurso do Presidente dos EUA, Donald Trump, na Assembleia Geral das Nações Unidas, onde classificou Cuba como um “estado falhado”. Trump reiterou que a sua administração procura uma mudança fundamental na situação cubana e que o regime comunista se encontra sob a maior pressão de sempre. As declarações do governante norte-americano motivaram a retirada imediata da delegação cubana da sala de sessões.
Por outro lado, o governo de Havana nega a existência de quaisquer negociações em curso com Washington. O Ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, classificou recentemente o embargo norte-americano como uma política de “asfixia económica” e rotulou o bloqueio de “genocida”.
Impacto económico e reacções internacionais
Segundo dados oficiais de Havana, o embargo norte-americano custou à economia cubana cerca de 8 mil milhões de dólares entre Março de 2025 e Fevereiro de 2026, representando um aumento de 7% em relação ao período anterior. Este balanço não contabiliza as sanções mais recentes, como as restrições ao fornecimento de energia aplicadas em Janeiro deste ano.
A situação económica e social de Cuba, agravada por um bloqueio petrolífero recente que tem provocado apagões constantes e escassez de alimentos, mereceu críticas de vários líderes mundiais na ONU. Os Presidentes de Angola e do Brasil, João Lourenço e Luiz Inácio Lula da Silva, respectivamente, lamentaram o cenário, afirmando que o mundo assiste com desânimo a uma “punição colectiva” imposta a mais de 10 milhões de cubanos através de um cerco energético e económico ilegal.




