Nairobi — O Secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, apelou à redução das tensões entre a Etiópia e a Eritreia, numa altura em que novos confrontos no Norte da Etiópia ameaçam agravar a instabilidade no Corno de África.
O apelo foi dirigido ao Primeiro-Ministro etíope, Abiy Ahmed, durante uma conversa telefónica realizada na quarta-feira e divulgada pelas autoridades norte-americanas.
Os confrontos recentes na região de Tigray voltaram a colocar em risco os esforços de paz iniciados após a guerra que devastou aquela região entre 2020 e 2022.
O entendimento alcançado em 2022 tinha criado expectativas de estabilização, mas a retoma das hostilidades e as acusações entre os dois países estão a comprometer os progressos alcançados.
O Governo etíope acusa forças eritreias de terem entrado e ocupado partes do seu território. A Eritreia rejeita a interpretação etíope dos acontecimentos e condenou declarações de Adis Abeba que considera constituírem uma ameaça de guerra.
As acusações mútuas aumentaram a desconfiança e dificultaram a abertura de canais diplomáticos capazes de conter a escalada.
A organização Human Rights Watch informou ter recebido relatos de civis mortos e feridos em consequência de bombardeamentos no Sul de Tigray. A informação foi avançada por uma responsável da organização à agência Associated Press.
Contudo, os relatos não tinham sido verificados de forma independente, e não estava estabelecida a responsabilidade directa pelos ataques referidos.
Rubio defendeu que todos os países do Corno de África devem respeitar a soberania e a integridade territorial dos seus vizinhos, evitando incursões transfronteiriças.
Washington procura, assim, impedir que os confrontos evoluam para uma guerra de maiores dimensões, com consequências para a segurança regional e para as populações civis.
A disputa está também relacionada com o interesse etíope em garantir acesso ao mar Vermelho, uma vez que o país perdeu a sua saída directa para o mar quando a Eritreia se tornou independente, em 1993.
A combinação de rivalidades territoriais, interesses estratégicos e feridas deixadas pela guerra de Tigray torna a situação particularmente delicada. A comunidade internacional acompanha os acontecimentos, receando que uma nova confrontação comprometa a estabilidade de toda a região.




