Os Estados Unidos vão começar a eliminar gradualmente o seu apoio financeiro aos programas de resposta ao VIH na Namíbia, o mais recente entre os países da África Austral a sentir os efeitos da retirada da ajuda externa por parte do Governo dos EUA.
Os EUA vão fornecer à Namíbia 45 milhões de dólares para a sua resposta ao VIH no ano fiscal de 2027, mas o país vai começar então a financiar os seus próprios programas, com os EUA a fornecerem apenas “cooperação técnica”, disseram ambos os países em comunicado.
A Namíbia recebeu, anualmente, cerca de 45 milhões de dólares através do Plano de Emergência do Presidente dos EUA para o Alívio da SIDA (PEPFAR) nos últimos anos. Os Estados Unidos afirmam ter contribuído com mais de 1,1 mil milhões de dólares para a resposta ao VIH na Namíbia desde 2003.
Embora a retirada do financiamento fosse esperada desde o anúncio da abordagem “AmericaFirst” da administração Trump à ajuda externa, ocorre após a rejeição, por parte da Namíbia, das disposições propostas para a partilha de dados de saúde e de amostras biológicas com os Estados Unidos. A Namíbia citou preocupações com a privacidade, soberania e questões legais para a sua decisão.
A administração Trump tem assinado acordos país a país que, segundo Washington, reduzirão a dependência dos doadores, aumentarão o financiamento interno e protegerão os interesses americanos. Os EUA assinaram acordos com cerca de 30 países desde o final do ano passado, muitos deles em África.
Mas o Ghana rejeitou uma proposta de acordo sobre o acesso a dados sensíveis de saúde, o Zimbabwe retirou-se de um pacote de 367 milhões de dólares por preocupações semelhantes e uma acção judicial suspendeu o acordo de 2,5 mil milhões de dólares do Quénia. A Zâmbia também se opôs às exigências de partilha de dados.



