O Presidente do Conselho Soberano do Sudão, Abdel Fattah al-Burhan, inspeccionou a prontidão do Exército no estado do Nilo Azul, no Sudeste do Sudão.
A visita acontece no meio da escalada dos confrontos no Estado entre o Exército e as Forças de Apoio Rápido (RSF) e o seu aliado, o Movimento Popular de Libertação do Sudão-Norte (SPLM-N).
Em comunicado, a 4.ª Divisão de Infantaria do Exército informou que Burhan, que também comanda o Exército sudanês, visitou a cidade de Damazin, capital do estado e quartel-general da divisão. O comunicado acrescentou que Burhan inspeccionou as forças da divisão e avaliou a sua prontidão para o combate e a preparação para cumprir as missões atribuídas. Foi, ainda, informado sobre a situação de segurança e operacional na região, segundo o comunicado.
Burhan enfatizou “a necessidade de elevar os níveis de prontidão e vigilância, bem como reforçar a disciplina”, segundo o comunicado. Pediu que “as missões continuem a ser realizadas de acordo com os planos e orientações militares”. Burhan inspeccionou, também, o hospital militar em Damazin, onde foi informado sobre as condições dos soldados feridos e dos pacientes, bem como sobre as operações do hospital.
Reafirmou o compromisso do comando do exército com o seu pessoal e com a prestação dos cuidados necessários. O comunicado citava o comandante da 4ª Divisão de Infantaria, Major-General Ismail al-Tayeb, que disse que a visita de Burhan “aumentou a sua prontidão para cumprir as suas missões”.
“As forças da divisão estão totalmente preparadas para desempenhar as suas funções militares, garantir a segurança da região e proteger os civis”, disse. Acrescentou que a divisão estava pronta para “continuar a implementar os planos e as orientações emitidos pelo comando”.
A visita de Burhan ocorre no meio de rápidos destacamentos militares no Estado do Nilo Azul. Esta semana, o primeiro contingente de forças conjuntas de movimentos armados aliados ao exército chegou ao estado do Nilo Azul.
Antes, o exército anunciou o envio de uma brigada de elite afiliada ao Serviço Geral de Informações para o campo de batalha no eixo Bakori, no Estado. Esta semana, o exército anunciou, também, ter abatido um drone "hostil" no Estado do Nilo Azul, depois de este ter atravessado a fronteira com a Etiópia.
Afirmou que este foi o terceiro drone abatido numa semana.
Além do Nilo Azul e da região do Darfur, no Sudão Ocidental, têm ocorrido confrontos nos três Estados do Kordofan - Kordofan do Norte, Kordofan Ocidental e Kordofan do Sul - entre o exército e as Forças de Apoio Rápido (RSF), desde 25 de Outubro. O Sudão tem assistido a uma guerra entre o exército e as RSF, desde abril de 2023, que já matou dezenas de milhares de pessoas e desalojou cerca de 13 milhões, segundo estimativas da ONU e de organizações internacionais.
Paramilitares atacam caravana da ONU
As Forças de Apoio Rápido (RSF, na sigla inglesa), um grupo paramilitar, atacaram um comboio de ajuda humanitária da ONU no Estado do Kordofan do Sul, matando uma pessoa e ferindo outras duas. Em comunicado, a Rede de Médicos do Sudão afirmou que a caravana foi atacada na cidade de Dilling quando se dirigia para Kadugli, a capital do Kordofan do Sul.
Uma pessoa morreu e dois camionistas ficaram feridos no ataque, disse o grupo. O grupo afirmou que a caravana transportava assistência humanitária vital a mais de 5 mil civis que enfrentam uma grave escassez de alimentos, medicamentos e outros bens de primeira necessidade.
O grupo condenou o ataque, descrevendo-o como parte do que chamou de padrão recorrente de ataques das RSF contra comboios internacionais de ajuda humanitária e obstrução da assistência a civis. O grupo afirmou que atacar a ajuda humanitária e obstruir operações de ajuda constituem violações do direito internacional humanitário.
O grupo apelou à comunidade internacional, à ONU e às organizações humanitárias para que garantam a entrega segura, contínua e sem entraves de assistência humanitária a civis em todo o Sudão. O comunicado instou, ainda, a pressão sobre a liderança das Forças de Apoio Rápido (RSF) para que cessem os ataques contra comboios e trabalhadores humanitários e exigiu que os responsáveis sejam responsabilizados. Na semana passada, a ONU informou que 1.100 civis foram mortos em ataques com drones em todo o Sudão entre Janeiro e Junho deste ano.



